HISTÓRIA DE PORTO ALEGRE: A “BAILANTE”

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Ali no Centro Histórico de Porto Alegre, na antiga Praça da Matriz – hoje Praça Marechal Deodoro – no nível térreo da atual Assembleia Legislativa do Estado, onde hoje esta plantado o Palácio Farroupilha (como se chama o prédio da Assembléia), perto do Theatro São Pedro, havia, “de há muito” tempo, uma famosa Associação, um Club, uma Sociedade, que pouca gente conhece ou passou os olhos por cima de sua história e de sua presença por ali.

Era a famosa A “Bailante”, a Sociedade Bailante, construída pelo Comendador Batista (João Baptista da Silva Pereira, o Barão de Gravataí, nascido em Braga, em 15 de janeiro de 1797, vindo a falecer em Porto Alegre, em 9 de agosto de 1853), pouco depois da metade do século XIX. Comendador Batista é aquele mesmo que tem sua casa ainda de pé, mas não por muito tempo, em plena Cachoeirinha, em área centrar da Cidade… Aquele mesmo comendador proprietário de parte da Cidade Baixa… Aquele mesmo comendador que construiu a Ponte de Pedra, hoje revitalizada. O Comendador faleceu pouco depois da construção de A Bailante.

A Sociedade Bailante e o Theatro São Pedro ficavam muito próximos, um do outro… Na verdade menos de 50 metros os separavam. Ela era uma sociedade porto-alegrense, organizada em sua sede, num prédio central e térreo, com fachada que lembrava um pouco o estilo grego.

Ao lado também ficava o prédio do Governo do Estado, onde hoje é o atual Palácio Piratini, a Igreja Matriz, infelizmente demolida e reconstruída como a catedral atual, e o Império do Divino, este demolido e extinto do local da Praça Matriz (ficando resquício de seu nome, somente alcunhando um das ruas do entorno).

Sociedade A Bailante

Afora as reuniões de família e o comparecimento ao Teatro, Porto Alegre era uma cidade escura, pouco oferecia em divertimentos noturnos. A Bailante, porém, teve muita aceitação e constitui-se, logo em seguida, em ponto principal de reunião da sociedade da época, não só para dançar, mas também para ouvir apresentações de músicas, de flautas, pianos, cítaras, etc.

Dançar as novas modas das Polcas, Valsas, Mazurcas e Schottischs, era o ponto máximo do lazer na época… Talvez uma Quadrilha, uma Contradança citadina, entre outras.

Inclusive, logo depois da invenção dos irmãos franceses “Lumiéres”, o cinema chegou também aqui, no Rio Grande do Sul e em Porto Alegre, com o filme mudo chamado de “Paraíso no Rio”, que foi exibido tanto na Bailante como no Theatro São Pedro.

 

a bailante
A Bailante, na direita

Mas alí, não reuniam-se os porto-alegrenses só para divertimento popular: em 1886 e 1887 a Bailante realizou apresentações brilhantes da Filarmônica Porto-Alegrense, com espetáculos chamados de “Soirée-Classique”.

Quando o intendente Otávio Rocha, na década de 1920, mandou – infelizmente – demolir a Bailante, ninguém lembrava mais que no local aconteceram reuniões secretas do antigo Partenon Literário, apoiando inclusive, como uma de suas principais pautas, a Abolição da Escravatura e ativando diversas discussões políticas importantes.

Em 1927 construíram no local da antiga Sociedade Bailante e da Companhia Hidráulica Porto-alegrense, o Auditório Araújo Vianna, para os concertos e apresentações de banda municipal, com concha acústica e uma plateia ao ar livre com 400 bancos que se estendiam ao longo de quatro terraços, emoldurados por pérgula ornada de roseiras.

Este era o primeiro prédio do Araújo Viana, que também, mais tarde, viria a ser demolido (em 1955), sendo levado e reerguido do zero, de maneira mais moderna e ampla, onde hoje se encontra o atual Parque Farroupilha.

antigo araújo Viana
Antigo Auditório Araújo Viana

Antigo Auditório Araújo Vianna, erguido no local

(Mais dados no livro “Porto Alegre foi assim”, de autoria de Hélio Ricardo Alves)

Salve!!!

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