ÍNDIOS: OS PRIMEIROS HABITANTES DO RIO GRANDE DO SUL!

O Rio Grande do Sul tem a sua população estimada em 11.322.895 pessoas, segundo dados do IBGE [2017]. Porém, quem foram os primeiros habitantes do Rio Grande do Sul? Quando tudo começou?

A resposta pode ser encontrada no livro Histórias do Rio Grande do Sul, de Danilo Lazzarotto.

Segundo o autor, os indícios mais antigos do homem na América são de há 38.000 anos, no noroeste dos Estados Unidos.

O Rio Grande do Sul passou a ser habitado pelo homem há mais de 12.000 anos.

Ao chegarem em solo Rio-Grandense, os colonizadores encontraram três raças indígenas: os gês, os guaranis e os pampeanos.

índios rio grande do sul

Os Gês talvez fossem descendentes dos mais antigos caçadores do interior. O que é certo é que habitavam o Rio Grande do Sul já pelo século II a. C. Preferiam zonas de araucárias porque o pinhão, em estado natural ou reduzido à farinha como pilão e guardado seco, constituía a base de sua alimentação. Dedicavam-se também à caça, pesca e coleta, mas sua agricultura era insignificante.

Moravam em casas de palha, mas para o inverno abriam covas de tamanho variado, podendo atingir até uns 18 metros de diâmetro por uns 7 metros de profundidade: as Casas Subterrâneas. Este tipo de casa já se encontrava abandonado na época do descobrimento.

Os principais grupos Gês foram conhecidos pelos nomes de: Guaianas, Pinarés, Ibiraiaras e Caaguás. Estes índios foram dizimados por uma peste, por volta de 1610, pelos bandeirantes e depois pelos Povos das Missões que incorporaram alguns. Poucos chegaram até nós.

Os Guaranis foram os primeiros agricultores do Rio Grande do Sul. Entraram como invasores. Parece que chegaram em duas levas; A primeira entre os anos de 300 a 400 d . C. e a segunda entre os anos de 1000 a 1100 d . C. O centro de dispersão deve ter sido o Alto Paraná. Ocuparam, principalmente, regiões de água abundante.

É apontada como causa de suas contínuas migrações a busca da Terra sem Mal (Ivy Marroy) que localizavam no leste. Pertenciam a este grupo: os Tapes, o futuro índio das Missões do Rio Grande do Sul, que ocupavam as margens dos grandes rios do Centro e Oeste do Estado; os Arachanes que habitavam a banda ocidental da Lagoa dos Patos; os Carijós ou Patos que habitavam o litoral marítimo.

O Guarani é considerado de caráter brando, dócil e pacato, porém, indolente e imprevidente. Não era cruel, a antropografia era apenas ritual. “Suportava a fadiga, doença, dor e até a morte sem lágrimas e gemido.”

As casas eram coletivas, variando o tamanho com o número de seus ocupantes. Dormiam em redes.

Os índios Guaranis foram o elemento básico na formação das Reduções e dos Sete Povos das Missões.

primeiros habitantes do rio grande do sul

Após a expulsão dos jesuítas (1768) aos poucos suas terras foram tomadas, seu gado roubado e sua população dizimada. Uns poucos se integraram na sociedade rio-grandense como peões de estâncias e mulheres foram esposas de portugueses que se tornaram troncos de famílias gaúchas tradicionais. Porém, da cultura guarani quase nada sobrou, a não ser alguns nomes geográficos.

Designa-se como Pampeanos os índios Charruas, Minuanos, Guenoas e Yarós. Habitavam o sul do Rio Grande do Sul, o Uruguai e partes das províncias Argentinas de Corrientes e Entre Rios. No Rio Grande do Sul, os vestígios mais antigos remontam o primeiro milênio antes de Cristo. Construíram sua habitações sobre cerritos (pequenas elevações feitas nos banhados).

Após as descobertas, com a introdução do gado pelo colonizador, deixando a coleta, tornaram-se pastores e exímios cavaleiros. Como inimigos tradicionais dos guaranis das Missões, tornaram-se aliados dos portugueses ajudando-os nas préia do gado e nas guerras. Na Guerra Guenoa, em 1705, os índios das Missões quase os exterminaram.

O último cacique Minuano, que a história registrou, (1770-1780 ) foi Dom Miguel Caraí, filho de um espanhol e de uma índia minuano.

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O Pampeano contribuiu muito na mestiçagem dos peões das estâncias do pampa gaúcho. A ele se devem muitos usos e costumes campeiros, como o chiripa, boleadeiras e inúmeros vocábulos.

Bandeirantes vindos de São Paulo em busca de escravos, pestes deixadas pelos descobridores, imigração, são alguns dos fatores que ocasionaram a morte de muitos indígenas.

No entanto, o Tratado de Madri teve o maior impacto em suas vidas, visto que resultou em sucessivas peleias entre portugueses, espanhóis e indígenas, principalmente na região das Missões, que, em 1750, encontravam-se em seu auge populacional, tendo entorno de 120.000 mil índios “cristianizados”.

Em 1756, as tropas luso-hispânicas resolveram atacar em conjunto, dando início àquela que foi “uma guerra na América com a Europa em paz”.

Espanhóis partiram de Buenos Aires e Montevidéu, enquanto portugueses marcharam de Rio Grande de São Pedro até o ponto de encontro das tropas, que foi em Santa Tecla. A partir de então, coligados, se dirigiram a Caiboaté, palco da chacina.

Nos dias 7 a 10 de fevereiro de 1756, o sangue indígena encharcou as terras de Caiboaté. O massacre começou quando o líder miguelista do movimento de resistência às tropas lusa-hispânicas, Sepé Tiaraju, foi morto.

Em 1767, os Sete Povos tinham uma população de 25 mil pessoas. Em 1801 restavam apenas 14 mil indígenas.

Com o passar do tempo, seguiram ocorrendo contínuas guerras envolvendo os indígenas. Os Povos passaram a ficar desertos, começaram a ser ocupados pela mata: árvores ( figueiras e umbus ) cresceram até nas paredes das igrejas e das casas, deslocando-as e fazendo ruir os tetos; as pedras foram levadas para construções nas estâncias, e mais tarde, na reconstrução das cidades que hoje ostentam os gloriosos nomes do passado.

Sobre esta terra uma história foi escrita

Que não findou nos campos de Caiboaté

Vive em quem sabe que esta terra ainda tem dono

Alma gaúcha e missioneira de um Sepé

– Trecho da música Como se vive e se morre um homem valente, de Jorge Freitas.

SOBRE O AUTOR:

Mateus Müller, 22 anos, reside na cidade de Novo Cabrais –RS.

No ano de 2016 iniciou seus passos na invernada adulta do CTG local, o Presilha Pampiana, onde permanecera até meados de abril de 2017. Começou ali a real paixão pelo Rio Grande do Sul.

Em 2018, escreveu uma peça de teatro unindo Religiosidade e Tradição Gaúcha, para um evento religioso entre jovens da região central do Estado, e foi honrado com o troféu amador de 1º lugar. Desde então, segue lendo e escrevendo sobre as coisas do pago; E seu encanto segue aumentando.

#Índios #História

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