REVIVER… A VACARIA DOS PINHAIS!

vacaria dos pinhais
ctg saPowered by Rock Convert

Na outrora divisão territorial do nosso Estado, as regiões ao Norte estavam atreladas ao complexo missioneiro, com exceção da estreita faixa litorânea, à leste. Nas “entradas” aos então sertões, os bandeirantes, na sua marcha irrefreável ao Sul, descobriram a riqueza bovina nos Campos de Cima da Serra.

Não apenas a região, mas as enormes reservas de gado bovino, gado chimarrão ganharam nome devido às icônicas e nativas araucárias, os pinhais.

A Vacaria dos Pinhais entrou para os mapas e para a História. Nas suas campinas, os índios guaranis, supervisionados pelos curas missioneiros, vagavam inebriados pelas correrias ao gado alçado. Logo, o sonho de uma sociedade perfeita seria confrontado por poderosos interesses e, changadores que a muito já se entretinham nas correrias da vacaria maior, a do Mar, se aproximariam cada vez mais, desse verdadeiro tesouro.

Também o fluxo de conquista português passaria a se intensificar, imprimindo ainda mais pressão, com ações predatórias que levariam a um resultado facilmente previsto: a extinção do gado chimarrão.

No entanto, esses ataques massivos que, não respondiam a um comando central, mas que se multiplicavam em ações isoladas – influenciados em grande parte pelo contrabando – acabaram por gerar um produto inesperado. Uma cultura local. Uma cultura autóctone. Sob a visão histórica, até uma terminologia especial foi criada: A Idade do Couro.

Abandonados à própria sorte, sofrendo as inclemências do tempo e enfrentando o rigor das perigosas lides nas vacarias, homens arrancaram o couro do gado selvagem por cerca de duzentos anos. Não nos preocupemos com a contagem do tempo, mas sim com esse subproduto que foi a sedimentação de conhecimentos campeiros que, mais tarde, foram transferidos para as primeiras estâncias.

E é a história interessante. Quem chegou até aqui pode, sem dificuldade, imaginar essas cenas e percorrer séculos e séculos enquanto lemos estas poucas palavras. E no transcorrer do tempo, na transformação dos lugares, podemos observar que muitas vezes, mudanças bruscas conseguem alterar ou mesmo substituir culturas há muito estabelecidas.

Das vacarias, restou apenas o nome. As Missões viraram ruínas. Suas pedras, cor de cobre, são testemunhas de um remoto passado e estão lá, para contar toda essa história. Os índios se misturaram ao povo, que hoje, é um só. As estâncias, assim como o tempo, sofreram as inclemências da transformação.

Mas nem tudo é História. Assim como as pedras das missões, nós, os gaúchos, recebemos um legado silencioso que teima, geração após geração em reviver. Nos mesmos campos salpicados pelas araucárias e outrora trilhados pelos índios, uma festa, uma festa campeira é o epicentro, onde pessoas dos mais distintos pagos comungam sentimentos, revivem a terra e se nutrem de um espírito em comum.

Como é natural nos grandes eventos, uma multitude de acontecimentos simultâneos divide a atenção das milhares de pessoas que são levadas ao Rodeio Crioulo Internacional da Vacaria. São muitos tiros de laços, épicas gineteadas, apresentações de danças típicas e shows dos mais proeminentes cantores da nossa terra. Mas um acontecimento em especial, chamou minha atenção nesse ínterim de devoção e patriotismo: um concurso infantil de tiro de laço em vaca parada.

Num recinto preenchido pelos eufóricos familiares, que dividiam o espaço com o curioso público, os guris, olhos atentos nas aspas imaginárias, reboleavam seus laços de esperança, sonhando, quem sabe um dia, receber o título de campeão da Vacaria. Mas mais que o tiro certeiro, depois de uma armada bem reboleada, essas pequenas mãos laçavam um futuro ainda mais gaúcho.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui