A VERDADEIRA HISTÓRIA DO TATU COM VOLTA NO MEIO!

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Foto: Estampa da Tradição

“Tchê, que tal dançar um Tatu com volta no meio? Mas quem foi esse Tatu? Desde quando tatu é dança e não bicho? A história do tatu tem um fim, ou ele só se quebrou a vida inteira? E como termina afinal?”

Dançar o Tatu com Volta no Meio é algo que se aprende desde Mirim. Seja com um sapateio básico e um sarandeio muito simples, ou até com evoluções muito complexas (ninjas!). Tempo vem e tempo vai, e duvido que exista algum rodeio que pelo menos um CTG não dance um Tatu. Porém é uma dança um tanto comum não pela facilidade, e sim por sua beleza e prazer de quem dança.

Rodeio de Caxias

Foto: Divulgação Facebook

“O Tatu era uma das cantigas do fandango gaúcho (entremeadas de sapateado). Como acentuou Augusto Meyer, -“o tatu é o mais longo e sem dúvida o mais importante dos nossos cantos populares.” Colhemos em nossas investigações entre os campeiros rio-grandenses, nada menos que 109 quadrinhas, que nos contam a vida “caipora” do Tatu – personagem meio-gente, meio-bicho, símbolo do pobre-diabo sempre atraiçoado pela sorte.” (CÔRTES; LESSA; 1961, p.115)

Primeira reflexão: MAS TCHÊ, 109 QUADRINHAS E NOS RODEIOS SÓ ESCUTO AS MESMAS?! No mínimo estranho. A tudo bem, alguns vão pensar “ah mas o ENART limita a pesquisa nos livros X e Y, e não sei o que.” Desculpas não vem ao caso, a verdade é que só são cantadas umas 10 e olhe lá, tendo 109. Cultura se perdendo aos poucos…

Foto: Estampa da Tradição

Segunda reflexão: Parando para pensar, te falo em um bicho sofrido, bah! Citando apenas algumas quadrinhas, podemos entender bem:

“Tatua, minha tatua,

Acuda, senão eu morro!

Venho todo lastimado

Das dentadas de um cachorro.”

“E logo desceu pra baixo,

Mui triste da sua vida,

Com a casca toda riscada,

De orelha murcha, caída.”

“Até chegar nesta idade,

Remédio nunca tomei;

Tatua, estou mui doente,

Faz remédio, eu tomarei.”

Fonte: Augusto Meyer, Cancioneiro Gaúcho

Dança Gaúcha Sapateio

Foto: Estampa da Tradição

O Tatu em sua origem, era apenas uma dança legítima do fandango, onde os sapateados eram apenas com os pares soltos, porém com o tempo e a evolução da mesma, foi introduzido a figura da “Volta-no-Meio”(movimento que aos poucos foi difundido no Brasil), e dessa junção nasce o Tatu com Volta no Meio.

Reforçando o que falei no primeiro parágrafo, “No que respeita a parte sapateada, o Tatu é a dança gaúcha que maior liberdade oferece aos dançarinos. Assim sendo, eles podem abrilhantar seus passos com os mais diversos “floreios”, de acordo com a habilidade de cada um.” (CÔRTES; LESSA; 1961, p.115)

Foto: TV Tradição

A dança basicamente consiste em duas figuras. A primeira figura, os dois dançarinos do par realizam uma volta inteira, realizando sapateio e sarandeio, soltos uns dos outros. Após a primeira meia-volta e fim da primeira quadrinha, param e realizam um cumprimento. Depois retomam o sapateio e o sarandeio até retornarem a posição inicial.

A segunda figura é a realização da volta-no-meio. “Enquanto o homem executa um bate-pé no mesmo lugar (alternando um pé e outro, e assim acompanhando a música), a mulher executa quatro giros, de uma volta completa, em torno de si própria: dois pela esquerda, e dois pela direita alternadamente” (CÔRTES; LESSA; 1961, p.117)

Foto: Divulçação Facebook

OBS: Na sequência da dança, notam-se variedades entre a dança no ENART e a dança no estilo Campeiro. No ENART existe a figura “variante” onde normalmente os pares realizam valsados pelo salão, podendo executar diversas figuras, com sapateios ou não.

“Mas e a história tem um fim ou não tchê?” A resposta é SIM!

“Ela deu folhas de umbu

Com raiz de pessegueiro,

Mas, coitado do Tatu,

Morreu inda mais ligeiro!”

“A tatua e os tatuzinho

Puseram-se a cavoucar,

Pra fazer a funda cova,

Pra o seu tatu enterrar.”

“A tatua está viúva,

O seu tatu já morreu;

Ela agora quer marido

Travesso, como era o seu.”

“E, se algum dos meus senhores

Quer ser tatu preferido,

A tatua está viúva;

É só fazer seu pedido…”

Fonte: Augusto Meyer, Cancioneiro Gaúcho

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