1ª GERAÇÃO COREOGRÁFICA E OS CONTINENTINOS!

As Gerações Coreográficas das Danças Tradicionais Gaúchas são fruto de um estudo fundamental para que possamos de fato compreender o que estamos dançando.

Explicamos em outro texto sobre os Ciclos do ponto de vista do ENART (clique aqui para ler), e também explicamos a diferença e o que Paixão Côrtes entende por Geração Coreográfica (clique aqui para ler).

Agora falaremos especificamente da 1ª Geração Coreográfica. O livro que utilizamos como base é de J.C. Paixão Côrtes, com título: “Bailes e Gerações dos Bailares Campestres“, do ano de 2002.

Para entender a 1ª Geração, é preciso contextualizar.

Estamos no século XVIII, no continente sul-americano, onde a peleia pegava parelho entre portugueses e espanhóis. No meio dessa peleia toda, nasceu o Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul.

A coisa começou a acontecer lentamente, e só por volta de 1732 é que começaram os direitos de propriedade e as doações de sesmarias para o povo.

“Até aqui o nosso Rio Grande nascente, era um corredor litorâneo Atlântico de andarengos de vida a ermo, de aventureiros, contrabandistas, escravagistas, tropeiros, desertores das guarnições militares das Coroas de Espanha e Portugal, que viviam gauderiamente do comércio, predominantemente irregular do gado orelhano – “livre de marca e sinal” – remanescente das Vacarias dos Pinhas e do Mar. O chama Ciclo da Courama.”

Bueno, digamos que aí nasceu o gaúcho. No meio dessa tropa toda.

Pra ter uma ideia, a sua presença só foi registrada em 1787, e sobre o seu Bailar, nada foi encontrado.

“No entanto, das citações referenciais e de suas manifestações musi-coreográficas que conseguimos recolher e reconstituir, alude-se só a homens solitários. Danças, portanto, exclusivamente masculinas, desenvolvidas nos “arranchamentos” (abrigos de tropeiros) e em pousadas campestres, no seu ir e vir de vida desértica, pelo pampa sem fronteiras, das bandas cisplatinas às concentrações populares do Brasil daquela época.”

Mais adiante, com a chegada dos casais Açorianos é que a arte da dança começou a tomar mais forma. Com a NOVA VIDA, não poderiam faltar também as “NOVAS” DANÇAS.

Foi assim que chegaram as Chamarritas (chimarritas), Canas-Verdes, Pezinhos, Sarrabalhos (Cerra o Bailho), Tiranas, etc…

“Também, o primitivo Fandango – de herança luso-hispânica, bailado só por homens campestres – dá a motivação a uma série de cantilenas, entremeadas de sapateios, e dançadas, agora, por “novos casais da terra, os continentinos.

“Sobre esses bailares, Simões Lopes Neto, nos fala:

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Os bailes em que eram elas dançadas denominavam-se fandangos, os quais nos primeiros tempos constituíam os divertimentos dos salões das altas classes (antigos estancieiros), descendo até as senzalas dos peães, que mais tarde com suas chinas, eram os únicos apologistas dessas danças, cujos vestígios ainda se encontram na região serrana e na Serra Geral.”

Mas bueno, resumindo um pouco a história, as Danças de pares começaram a aparecer com a junção das danças do fandango vicentista, que era puro sapateio, com as cantigas trazidas pelos açorianos, fazendo surgir assim um fandango bem primitivo, com cantos intercalados de sapateios e sarandeios.

Aqui chegamos ao ponto principal: AS CARACTERÍSTICAS dessa Geração Coreográfica:

“Embora haja um grande número de participantes da reunião dançante é sempre o par que se destaca. O homem e a mulher não se enlaçam, quando muito se dão as mãos; dançam sempre apartados um do outro. É um tipo de dança em que se alternam meneios de corpo e sapateados. Os braços frequentemente ficam erguidos, puxando castanholas. (…) o uso do lencinho pelo cavalheiro ou pelo casal em adequada manuelagem, é uma característica marcante.”

E continuando:

“Predomina a dança de par solto e independente. O cavalheiro e a dama ora se aproximam, ora fogem, simulando negaças de namoriscos, e trocando entre si, uma linguagem mímica de conquista amorosa, sem que os corpos se toquem. Não há diálogo de palavras entre os dançarinos. A “fala” outrora era “ouvida” através das expressões corporais, e a “conversa” no olhar.”

Por fim:

“O cavalheiro procura chamar a atenção para si, através de adequados (às vezes complicados) sapateios, tirando sons martelados dos pés, calçando botas (com ou sem esporas) de forma máscula, nobre, porém não brutal e nem barulhenta, sem que fique outrossim, pisando em ovos.

Referente à mulher-prenda, realizava ela gestualidade airosas, movimentos corporais singelos através de sarandeios, recatados, sem exageros lúbricos, com meneios graciosos, pudorosos, alternados ao sapateio do seu par.

Batidas de palmas rítmicas e castanholar de dedos são frequentes entre os bailarinos, de acordo com a mensagem da dança.”

Bueno moçada, que tal as informações da 1ª Geração Coreográfica?

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#GeraçõesCoreográficas #PaixãoCôrtes

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