BRINCAR: TODA CRIANÇA PRECISA SER CRIANÇA!

Toda criança tem em sua essência a capacidade de criar e de imaginar. E através das brincadeiras isso se torna mais possível ainda.

Desde um jogo de futebol com uma bola de meia, até um chá da tarde com as amigas e as bonequinhas de palha de milho servem para despertar na criança um ser diferente do que ele já é. Em nosso folclore contamos com essas e diversas outras brincadeiras que possuem esses e outros intuitos. Alguns brinquedos folclóricos foram esquecidos pelo tempo, e através de pesquisas são cotidianamente resgatados, embora, pouco divulgados.

Com o olhar infantil, podemos ver um mundo mais puro e cheio de oportunidades, de um botão e algumas linhas, fazer um brinquedo que divirta qualquer um por um bom espaço de tempo, dos toquinhos de madeira e cordas, apoiar nossos pés e fazer do simples ato de andar, algo mais divertido.

No ano de 2018, que já está se findando, uma das mais singelas recordações que os Piás Farroupilhas do Rio Grande do Sul Gestão 2017/2018 nos deixaram, foi um livro de 75 páginas que trazem de volta a infância e a ingenuidade de pessoas de 30, 40 e até 75 anos. Saullo, Gustavo e Rafael conseguiram mostrar para o Estado inteiro que brincar não tem idade, não precisa de dinheiro e exige apenas um material essencial, a criatividade.

Bolinhas de cinamomo, antigamente utilizadas para junto com o milho alimentar os cavalos, mesmo que em alguns lugares de pesquisa, as apresentem como “tóxicas” ou “nocivas ao organismo”, para brincar, acabavam se tornando mais saudáveis o possível, algumas crianças, costumavam brincar de polícia e ladrão, e utilizavam a bolinha de cinamomo como arma, tanto para se defender, quanto para atirar nos outros. Uma outra forma de brincar com essas bolinhas, era utilizando madeiras, couro, prendedor e uma borracha de câmara de bicicleta, assim, fazendo uma espingardinha e podendo brincar de uma outra forma.

Outra brincadeira muito conhecida e podendo ser jogada com as mãos, pedrinhas ou também com taquaras é a popular “escravos de Jó”. Tendo uma história muito curiosa, envolve a dinamicidade, o raciocínio, a atenção e a coordenação motora, além do canto e da atenção dada para conciliar pulos, palmas ou movimentação de objetos com a música cantada. São necessárias duas ou mais crianças para a brincadeira Quando errada uma movimentação o jogo dá-se por perdido e então espera-se o reinicio da rodada.

As meninas, também tinham e têm até hoje, uma diversidade muito grande de brinquedos e de brincadeiras, bonecas que contemplam todos os gostos: de pano com enfeites, somente de pano, de madeira, de palha de milho, de espiga de milho, de plástico, reciclável, artesanal…

E o mais interessante é o quanto o mundo visto através das bonecas é diferente do mundo visto sem as bonecas. Mas não são somente ao redor delas que o universo das meninas gira, existem brincadeiras que exigem que elas tenham coordenação motora e raciocínio lógico desenvolvidos, como por exemplo, o cravador, brinquedo feito de madeira de cabo de vassoura, um prego e algumas penas de aves. Nessa, deve haver um alvo, e deve ser brincada em duas ou mais crianças. O intuito é que se jogue esse cravador o mais próximo possível do alvo, ou do ponto utilizado para esse fim, tendo como recompensa uma maior pontuação.

O folclore é o ato de passar, um ensinamento, um fato, ou uma atividade, de geração em geração, para que este não se perca com o tempo. Através do folclore conseguimos resgatar histórias e também lembranças, sejam elas nossas ou de nosso povo. O estado do Rio Grande do Sul possui uma gama muito grande de possibilidades que o folclore resgata, e as brincadeiras mais do que diversão, oportunizam criança, jovem, adulto e idoso, de diferentes gêneros, raças e credos a criarem o seu próprio mundo, com suas próprias regras. Desenvolve a oralidade, a desenvoltura, o raciocínio lógico e aptidões físicas.

No grande grupo, percebemos que através dos brinquedos artesanais, é possível também desenvolver a criatividade, pois, deve-se lembrar que ao criar estaremos transpondo em arte aquilo que vive dentro da nossa própria imaginação.

Agraciados com este livro e tantos outro que relatam as vivências infantis com brinquedos e brincadeiras de diversas épocas, observa-se que no final todos saem ganhando. E o tradicionalismo, continuará sempre sendo, por qualquer idade, perpetuado.

SOBRE A AUTORA:

Caroline Tenedini, 17 anos, faz parte do CTG Taquaruçu no município de Constantina, sendo dançarina e 1ª Prenda da Entidade. Iniciou no Movimento aos 14 anos, na invernada Mirim. Foi 1ª Prenda Juvenil 2016/2017 e 3ª Prenda Juvenil da 7ª Região Tradicionalista 2017/2018.

Desenvolvei o gosto pela declamação e pela oratória através das Cirandas, em virtude dos projetos, o que abriu portas para o ofício que faz hoje: ser radialista.

#Tradicionalismo #JovemTradicionalista #Criança

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