É PRECISO FALAR SOBRE HOMOFOBIA NO TRADICIONALISMO GAÚCHO.

Um preconceito enraizado e parece que até – perpétuo.

Eu Guilherme, para começar e deixar bem claro não quero ser hipócrita e nem pagar nenhuma moral de cueca. Sempre fui preconceituoso. Mas mudei e não é tão difícil assim não che, é só querer. Sou 100% livre do preconceito? Com certeza não, mas cada dia a gente vai melhorando.

Esse assunto já me incomoda faz muito tempo mas o “medo” da repercussão sempre me freou a falar sobre isso.

Primeiro, porque eu sei qual será a reação da grande maioria – repúdio:

“Onde já se viu…”, “Tem lugares e lugares pra fazer essas coisas…”, “Gaúcho bom é gaúcho macho!”

Segundo porque também vai ter gente pensando que eu só estou falando da boca pra fora pra ganhar “audiência”, como na maioria dos casos.

Mas tchê, vou te dizer, chega de tapar os olhos e fingir que não existe.

A realidade bem clara é que a SOCIEDADE como um todo é homofóbica, e por sorte ou por clareza na mente, algumas exceções tornam esse mundo melhor.

Hoje temos um discurso que priva a diversidade a nível nacional, quem dirá nós meros mortais do Rio Grande do Sul o que podemos fazer…

Basicamente temos 3 situações principais extremamente complicadas:

1 – Preconceito com quem dança em CTG:

Esse foi o meu maior erro principalmente logo que comecei, não gostando de ter “esse tipo de gente” no meu CTG porque “imagina o que falam de nós“. Pensa, que coisa mais idiota! Hoje dois dos meus melhores amigos dançam, são um casal, foram coordenadores na Entidade e estão pouco se importando pra o que pensam. Mas mesmo assim, ainda é uma barra bem difícil de segurar porque quando menos se espera vem a facada pelas costas.

2 – Preconceito com quem exerce algum serviço dentro de um CTG:

Caso no CTG ninguém que dance seja homossexual, porém contratem um para a realização de algum serviço (seja cabelo, maquiagem, indumentária…) o preconceito se manifesta. São piadinhas paralelas, risadinha aqui e ali. E bato novamente nesta tecla que eu sei bem como é porque eu fiz isso por muito tempo (pensa, que coisa mais idiota!).

3 – Preconceito com quem instrui grupos de danças:

Parece que a orientação sexual anula totalmente as qualidades da pessoa que decidiu enfrentar essas adversidades, porque os comentários sempre serão: “mas também, olha o instrutor“, “com instrutor desses não da pra querer ir longe“.

Mas e aí, qual a moral desse texto?

No fundo no fundo eu não sei, acredito que pelo menos expondo esses problemas consiga fazer com que algumas pessoas reflitam assim como eu tive que refletir.

Nunca escondo que foi graças a visão de mundo da Jéssica (totalmente diferente do meu) que eu pude perceber algumas tantas idiotices que fui acostumado e criado a pensar, que não agregam em nada, e aliás, prejudica muita gente.

Quero também deixar claro que não quero que tu, super macho alfa hetero fodão tenha que “começar a gostar de gay“, mas che, pelo menos respeita e deixa o povo ser feliz…

Ah, e eu generalizei para o lado dos homens, mas tem muita mulher cheia de ódio e preconceito por aí também…

E tem outra ainda, que sei que vão falar:

“MAS CTG É UMA COISA TRADICIONAL, HISTÓRICA, NÃO TINHA ESSAS FRESCURAS NOS TEMPOS PASSADOS…”

Bah, não faz isso com tua inteligência. Estuda um pouco, vai assistir umas séries que contextualizam a época da Roma Antiga, que só pra informar, veio léguas e léguas antes do início da cogitação de existir algo por aqui…

Ou então pensa o seguinte: será que nos CTGs “dos antigamentes” não tinha porque foi definido e claramente instituído para não ter, e com isso muita gente deixou de levar nossa cultura adiante, ou então realmente “não existiam gays“?

Põe essa cabeça pra funcionar!!!

Discurso bonito na frente de gays só funciona se pelas costas tu não mudar totalmente o que pensa para “ficar bem” com teus amigos. Falar que “tudo bem ser gay, mas usar tal roupa aqui no rodeio não da…“, “o fulano é gay mas pelo menos não aparenta…“.

Essas coisas NÃO AJUDAM!

Caso tu não saiba, gays também tem família, sonhos, medos, trabalham, empreendem, coordenam, ensinam… são iguais a todos nós! A diferença é que precisam fazer tudo isso enfrentando um preconceito diário em virtude da sua orientação sexual.

Agora se esse texto todo te fez pelo menos refletir, vou te dizer como tu pode começar a mudar e pensar diferente:

1 – Elimina as piadinhas com “viado” da tua lista.

2 – Quando começarem a puxar esse assunto de forma a prejudicar a imagem de alguém, muda de assunto (porque de cara sair discordando tu vai ver que é difícil).

3 – Para de usar termos homossexuais como ofensa: “o seu viado”, “é uma bixa mesmo” e por aí vai.

Viu, não é tão difícil começar a fazer um mundo melhor, que tal tentar?

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