ÍNDIOS DO RIO GRANDE DO SUL – PAMPEANOS

Um pouco da história dos Índios do Rio Grande do Sul e suas ramificações.

Os Pampeanos eram indígenas que habitaram as extensas planícies de gramíneas do Pampa sul-americano, sendo o sul do Rio Grande do Sul, o Uruguai e partes das províncias Argentinas de Santa Fé, Corrientes e Entre Rios. Neste grupo estão incluídos os Guenoas, Bohanes, Yarós, Charruas e Minuanos, sendo os dois últimos os mais conhecidos e importantes em termos históricos e demográficos.

Seriam eles os últimos descendentes dos primeiros humanos que chegaram e colonizaram o Pampa sul-americano. No Rio Grande do Sul, os vestígios mais antigos remontam o primeiro milênio antes de Cristo. Construíram sua habitações sobre cerritos (pequenas elevações feitas nos banhados) e viviam de caça e, sobretudo, da pesca. No entanto, seus hábitos e costumes mudaram após a chegada dos portugueses e espanhóis na América do Sul, em pleno século XVI.

Devido à ausência de documentos históricos e outros registros, torna-se muito difícil estabelecer diferenças suficientemente marcantes entre os grupos que compõem a etnia, por essa razão há historiadores que acreditam que existiu, na verdade, uma grande etnia (ou família) Charrua, que englobaria todas as tribos pampeanas e descrevem os grupos como um só – Os Charruas. Essa tática será utilizada neste texto a fim de tentar descrever o estilo e história desses nativos que tanto contribuíram para a formação do povo Rio-Grandense.

Falando nisso, a contribuição dessa etnia para com o povo que habita o Pampa foi tão significativa, que os charruas talvez tenham inspirado até mesmo o surgimento da palavra Gaúcho/Gaucho. Ainda há um extenso debate em relação ao assunto, porém alguns pesquisadores afirmam que o termo vem fielmente do Guarani e significaria “homem que canta triste”, aludindo provavelmente à “cantinela arrastada dos charruas” (Leal, 1989).

MAS AFINAL, QUEM FORAM OS ÍNDIOS CHARRUAS?

Desde seu primórdio, os Charruas foram nômades. A etnia não aderiu à ideia de aldeamento – a um estilo de vida limitado a um território fixo – diferentemente de outros povos indígenas. E talvez esse seja o principal fator determinante para que hoje pouco se saiba de seu estilo de vida. Os Guaranis e Kaigangs, por exemplo, tiveram um relacionamento mais próximo com os europeus, vivendo em reduções, foram mais observados e estudados. Por esse motivo, as suas culturas ficaram preservadas de modo mais significativo do que a Charrua.

Sendo nômades, usavam casas ambulantes cuja coberta era de esteira de caraguatá ou de taboa e cada tribo ou toldo não passavam de 50 famílias, mais ou menos, juntando-se as tribos da mesma nação, em tempo de guerra, de modo a constituírem forças numerosas, que combatiam com flecha, lança, bolas e funda.

Com seus materiais de guerrilhas, perambulavam também pelos campos, caçando as emas, os veados, os tatus, os ratões do banhado e as capivaras. Em seus acampamentos de nômades, faziam fogos de chão e ali assavam a carne dos animais em espetos de madeira. Junto às lagoas do litoral sul, sua atividade era sobretudo a pesca.

Suas técnicas de lascamento da pedra eram muito sofisticadas, pois elaboravam pontas de lança e de flecha com retoques muito bem feitos. Em muitas áreas de pesca, próximo ao litoral e em terrenos alagadiços do interior, esses grupos de caçadores passaram a se instalar em pequenas elevações, os “cerritos”, onde deixaram evidências de seus enterramentos rituais, das suas atividades de pesca e a sua cerâmica, provavelmente destinada à cocção de peixes. Foram autores de gravuras em paredes de abrigos ou em rochedos ao ar livre. Essa arte tem uma simbologia instigante, pois alguns signos sugerem uma magia de caça, outros uma magia da fertilidade.

Tanto os Charruas quanto os Minuanos preferiam andar pelas campinas, a viver nos matos. Faziam as suas correrias na guerra e na caça, nos lugares mais descampados, e gostavam de parar nas alturas, nos cumes dos serros e das coxilhas, para dominarem esse mimoso tapete verde que forma os campos sul-rio-grandenses e os platinos, que são a continuação dos primeiros. No cimo das coxilhas e dos serros, os Minuano, montando nos seus cabayús, habilmente amansados, sentiam-se alegres, afrontando intempéries e parecendo desafiarem as iras do vento pampeiro e o rigor do frio causado pelo do nome dos últimos , isto é – o minuano.

A mulher era muito dedicada ao marido. Ela juntava lenha, fazia fogo, preparava o mate e o churrasco e encilhava o cavalo, quando tinha arreios, geralmente só usados por caciques. Félix de Azara, descrevendo esses índios, disse: “A mulher minuana, como a charrua, cata piolhos e pulgas com afeição e gosto, prendendo-os na ponta da língua, para depois mastigá-los e comê-los com prazer”.

Os homens não cortavam os cabelos, conservavam-nos compridos como os das mulheres e trançados. Usavam na cabeça um grande ñhanduá paraguá ou cocar de plumas de ñnandú (avestruz) e na cintura uma espécie de cinta das ditas plumas habilmente tramada na parte superior, caindo para a parte de baixo, até os joelhos. Com plumas menores, faziam umas espécies de perneiras, nas quais ficavam para a parte de cima as extremidades das mesmas plumas. Esse trajes eram, nas festas, ornados com penas de diversas cores. E além deles usavam também os caipis de couro de quadrúpedes bem sovados, ou amaciados e habilmente pintados, com que cobriam a parte superior do corpo.

Em 13 de março de 1787, uma terça-feira, o coronel José Saldanha encontrou-os nas cabeceiras do Cacequi. Descreveu-os: “No acampamento de 13 de março, fomos visitados pela primeira vez pelos índios minuanos. Eles têm as ventas do nariz e as maças do rosto intumescidas, como os demais. São corpulentos e bem feitos; as mulheres são quase todas de meia estatura; as demais feições são iguais às do americano. Seus cabelos são longos e eriçados. Cobrem-se pelas costas até os calcanhares, com os caiapis (capa) feito de couro descarnado e sovado. Usam-no com o carnal para fora, atados com um tento por cima do ombro, e rematado no pescoço. Vestem-se com uma tanga ou chiripá de pano de algodão e não dispensavam as boleadeiras que traziam presas à cintura. Alguns deles trazem os cabelos e a cabeça atados com um pequeno e sujo lenço (vincha)”.

José Saldanha afirma que foram eles que inventaram as boleadeiras e o laço, “instrumentos comuns e necessários aos campeiros que estes campos vadeiam (…). Com esses, apanham no campo várias éguas, potros bravios e também cavalos mansos”.

Alguns historiadores afirmam que há algumas diferenças entre os Charruas e Minuanos.  Até hoje não se sabe ao certo se ambos comunicavam-se pela mesma língua – “Línguas charruanas” – e se tinham os mesmos costumes. No entanto, Azara, que viveu entre os Minuanos e comparou-os com os Charruas, diz: “Se diferenciavam principalmente no idioma em todo diferente. São mais baixos, mais descarnados, tristes e sombrios e menos espirituais”.

A descrição de Cezimbra Jacques sobre os Charruas comprova isso: segundo ele, os Charruas “eram mais altos, com uma média de altura de 1,68m para os homens e 1,67m para as mulheres, de aspecto sério e taciturno, porte duro e feroz. Os homens apresentavam barba como distintivo varonil, na qual os caciques usavam engastadas como adorno pedras e – após o contato com produtos da civilização européia – latas e vidros. A tatuagem no rosto consistia em três linhas que iam da raiz dos cabelos até a ponta do nariz e duas linhas transversais que iam de zigoma a zigoma. Para a guerra e festas pintavam a mandíbula superior de branco.”

A ETNIA PAMPEANA ERA, ASSIM COMO A GUARANI, RELIGIOSA?

Dos charruas e minuanos no que se refere à mitologia e rituais, não se tem muita informação, o que se sabe é que para debelar ou aliviar as doenças, os Charruas em particular, mantinham a pratica da medicina caseira. Essa atividade era exercida tanto por homens como por mulheres, no entanto há relatos que dizem que essa é uma atribuição apenas das mulheres mais velhas (BECKER, 2002). O procedimento era: “chupar com muita força o estômago do paciente, assim extraindo-se o mal”, usavam também cinzas quentes nos doentes, como meio de cura. Podemos ter essas praticas, como sendo da ordem de um ritual, devido às características desses procedimentos, onde no caso da doença, estaria dada a descontinuidade em um determinado individuo, ou no caso de uma “peste” ou epidemia, em um grupo maior. Este ritual serviria exatamente ao propósito de voltar à continuidade, a saúde.

Quanto aos mortos, as poucas fontes falam acerca de “cemitérios”, que eram feitos geralmente em morros, fazia-se um buraco com pouca profundidade, onde colocavam o cadáver, depois cobrindo-o com pedras, terra ou galhos. Acima vinham os possíveis pertences dos defuntos, como as boleadeiras. A lança era cravada ao lado da “sepultura”, e o cavalo atado a uma estaca. O cavalo e os pertences eram deixados ali, simbolizando sua crença na vida após a morte, pois serviam para a viajem que o individuo iria empreender. Os mortos também passavam por um processo, em que o corpo era desossado, podendo se pensar em um sepultamento primário.

O luto tem aspectos singulares nessas sociedades. Quando é morto o pai, o líder da família, os filhos, a viúva e as irmãs casadas, cortam um de seus dedos por cada defunto, começando pelo dedo mindinho. Cravavam-se a lança ou a faca de cana do morto, pelos braços peito e costas, como também ficavam por dois dias sem comer como forma de luto. O luto não era praticado pelo homem nem quando sua mulher, nem quando seus filhos morriam. Entre os Minuanos o luto era praticado pelas filhas adultas, pela morte de quem as criou, devido à entrega dos filhos nessas populações, após alguns anos de vida, a outro parente. E os homens ao invés de se cravarem a lança ou a faca, o faziam com espinhos de peixes. Suas cerimônias traziam sempre a mutilação dos sobreviventes (BECKER, 2002).

Alguns cronistas afirmam que eles não tinham religião, não podemos assegurar que tinham devido à escassez das fontes, no entanto essa crença na vida após a morte simboliza sua fé em alguma força maior, parece também que acreditavam em ressurreição da alma e em sua imortalidade (SERRANO apud BECKER, 2002).

Lopes de Sousa (1530) revela a localização de um cemitério nas proximidades de Maldonado (Uruguai) com trinta índios Charrua enterrados em covas individuais. Junto aos sepultamentos foram encontrados os pertences dos cadáveres estabelecendo-se a única forma de propriedade indígena. Azara (1936) argumentou que o cavalo era sacrificado sobre a sepultura por desejo expresso de seu proprietário (BECKER, 1991). Conforme Serrano (1936) o cavalo era deixado vivo ao lado da cova para a viagem que o defunto deveria realizar.

O HÁBEIS GINETES

Historicamente comprovada, a maior alteração sofrida pela cultura destes caçadores-coletores está relacionada à ação do cavalo, que foi introduzido em 1607, e à introdução do gado bovino (1634).

Os Charrua modificaram seus hábitos alimentares e rapidamente tornaram-se exímios cavaleiros. Vale a pena transcrever o relato das observações recolhidas por Cezimbra Jacques: “montaban en pelo, poniendo solamente un trozo de cuero sobre el lomo del animal. Sabían combatir en caballos alineados y cargar lanza y boleadoras. Utilizaban una estratagema que consistía en acostarse sobre su montura o em estirarse a uno de sus lados, no permitiendo así que se lo percibiera desde lejos. Amansaban a la perfección sus cabalgaduras y tanto en la paz como en la guerra, sabían sacarles el mayor provecho posible. Les era indiferente andar montados o acostados sobre el lomo de sus caballos y muchas veces se ocultaban debajo de ellos, por eso, sus enemigos difícilmente podían distinguir una banda de Charruas. Utilizando esa táctica obtenían ventajas en la caza y en la guerra pues así sorprendían al enemigo que no los percibía entre las tropas de animales que pastaban” (Pi Hugarte, 1998).

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índios charruas cavaleiros

O FIM DOS ÍNDIOS CHARRUAS

O amplo desenvolvimento do gado foi o motivo das incursões de estancieiros para o interior. Junto com eles os “changueadores” espanhóis, que buscavam couro para seus negócios, dando início assim ao grande tráfico de contrabando que constituiu um novo elemento de introdução ao povoamento da antiga Banda Oriental.

Os Charrua não aceitaram facilmente se desfazer do seu modo de vida tradicional e rejeitaram, em grande parte, as propostas de aldeamento fixo à maneira dos colonizadores (Pi Hugarte, 1998; Becker, 2003). A população indígena, que antes ocupava o território inteiro, viu-se com espaços limitados e foi atingida de muitas formas sofrendo um violento processo de transformação. Cada uma das formas de ocupação dos colonizadores os atingiu de maneira diferente, seja pela introdução de gado ou pelas missões franciscanas e jesuítas, que tentaram incorporá-los à sociedade colonizadora, os Charrua começaram a reagir ante as frentes expansionistas e passaram a representar uma ameaça aos bens e propriedades da população colonizadora que exigiu, em contrapartida, o aniquilamento destes indígenas (Becker, 2003).

É importante lembrar que trata-se de um povo extinto. Desta forma, as referências históricas a respeito dos Charrua são, em sua maioria, documentos referentes à conquista, com a visão dos colonizadores. A ausência quase total de elementos da sua cultura material ou representações de pouco valor etnográfico, fazem com que os fatos sejam apresentados de maneira tendenciosa, retratados de forma a justificar a “necessidade” de eliminá-los, o que fica evidenciado nas duras palavras do naturalista francês Georges Louis Lecler – o Conde Buffon – que referiu-se a eles comoselvagens animais de primeira categoria” (Vidart, 2000; Pi Hugarte, 1998).

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No Uruguai, durante o ano de 1797 foi criada uma polícia de campanha (Cuerpo de Blandengues da Fronteira de Montevidéu) que tinha como objetivo perseguir os Charrua, os contrabandistas portugueses e os ladrões de gado que invadiam o campo.

O ataque mais significativo contra os Charrua em território uruguaio aconteceu de forma traiçoeira em 1812, quando caciques, suas mulheres e tantas pessoas quanto possível, foram convidadas para uma comemoração em Salsipuedes, Paysandu, onde lhes foi dada erva, aguardente e tabaco e, em meio às festividades, os soldados se lançaram sobre eles exterminando-os. Apenas poucos conseguiram escapar, bem como aqueles que, desconfiados, não tinham aceito o convite. Os índios restantes foram definitivamente eliminados depois no Combate de Mataojos. Alguns poucos sobreviventes foram presos e repartidos nas cidades para fins vários ou entregues às estâncias como peões. Registros históricos indicam que o genocídio contra este povo pode ter sido desigual: enquanto os homens eram sacrificados ou pereceram em batalhas, as mulheres e crianças foram distribuídas entre as famílias “brancas” para o serviço doméstico, adaptando e integrando-se à vida e costume destas famílias.

Na Argentina, os Charrua levados a Cayastá (Província de Santa Fé) para serem aldeados, não assimilaram a vida sedentária nem ficaram resignados a esta transferência imposta. Espalharam-se pelos arredores e desta maneira, após anos de sofrimento, foram extintos, desaparecendo com eles os registros da etnia Charrua, pelo menos no território de Santa Fé.

Além da matança direta como causadora da extinção dos Charrua, as epidemias trazidas pelos europeus também contribuíram como ação destruidora dessa etnia.

Em junho de 1833, quatro índios identificados como Charrua foram levados a Paris, para exibições exóticas: o cacique Vaimaca Perú, Senaqué, Laureano Tacuabé e Micaela Guyunusa.

O índio Senaqué morreu pouco tempo depois de sua chegada à França, em julho do mesmo ano. Seu corpo foi transportado ao laboratório de Anatomia Humana do Museu do Homem, em Paris, mas os registros foram perdidos.

Micaela Guyunusa, que estava grávida, teve uma filha no dia 20 de setembro de 1833. A única índia Charrua levada à Europa, morreu pouco tempo depois, na cidade de Lyon, em 22 de julho de 1834, quando também se perderam os registros da criança e de Laureano Tacuabé.

Com relação ao Cacique Peru, também este viveu um curto período após ter saído do Uruguai. Morreu nos últimos meses de 1833 e seu corpo também foi levado ao Museu do Homem de Paris, onde permaneceu em exposição por muitos anos. Em 2002, os restos do cacique foram repatriados ao Uruguai e depositados no Panteón de la Pátria, em Montevidéu. Este foi o último cacique charrua registrado pela história.

Cacique Charrua Vaimacá

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NÃO HOUVE FIM. OS CHARRUAS VIVEM ENTRE NÓS!

Há informações de que existem mais de seis mil charrua nos países que compõem o Mercosul. Só no Rio Grande do Sul, são mais de quatrocentos índios presentes nas localidades de Santo Ângelo, São Miguel das Missões e Porto Alegre.

E estiveram presente na Revolução Farroupilha!

Tendo fugido dos massacres em Uruguai e províncias argentinas, alguns vieram para o Rio Grande do Sul, peleando ao lado dos Farrapos, na revolução de 1835. O general João Antônio da Silveira tinha na força de seu comando um corpo de 200 Charruas, que mais tarde, em combate travado em Missões com forças legais, ficou reduzido a 150. Segundo relatos, “resistiam os índios as intempéries, às vezes sem roupa, cobertos apenas com qualquer baeta, com os seus caipis de couro de tigre, veado ou terneiro, e que com qualquer carne, de gado vacum, de bagual, de veado do campo ou avestruz se alimentavam”. Nas forças dos Farrapos, os Charruas marchavam acompanhados das índias e dos filhos.

Um relato interessante:

Segundo causos históricos do Coronel Antônio de Melo Albuquerque, natural de Bagé e que tomará parte nas antigas campanhas do Rio da Prata, como cadete de primeira linha, na guerra de 1825, ao aproximar-se da fronteira do Estado Oriental, sob o comando de um General, a vanguarda dessa força ou os exploradores aprisionaram um índio Charrua, de uma tribo dessa nação indígena que errava por aquelas paragens.

De regresso ao acampamento, levaram o índio à presença do general, indo o charrua com todos os seus adornos, equipamentos e armas de guerra – o arco e a flecha. Conta-se que o general, depois de fazer-lhe algumas interrogações, perguntou-lhe mais se sabia atirar bem a flecha, e que, em resposta, disse-lhe o índio, em bom castelhano “a la vuestra salu, general” e assim dizendo, colocou a flecha no arco e apontou para cima, soltando-a imediatamente. E feito isso, parou-se firme em seguida, esperando a volta deste projétil primitivo. Passados alguns segundos, caiu a flecha, quase raspando a cabeça e as costas do Charrua, sem ofendê-lo.

Observando as pessoas presentes àquele fato, digno de admiração do quanto é capaz o exercício que leva os selvagens no arremesso da dita arma, o general que lhe dirigirá a palavra, desde o princípio da cena, entusiasmou-se muitíssimo por esse fato e libertando-o, faz-lhe presentes de fumo e aguardente, gêneros estes pelos Charruas muito estimados. 

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SOBRE O AUTOR:

Mateus Müller, 22 anos, reside na cidade de Novo Cabrais –RS.

No ano de 2016 iniciou seus passos na invernada adulta do CTG local, o Presilha Pampiana, onde permanecera até meados de abril de 2017. Começou ali a real paixão pelo Rio Grande do Sul.

Em 2018, escreveu uma peça de teatro unindo Religiosidade e Tradição Gaúcha, para um evento religioso entre jovens da região central do Estado, e foi honrado com o troféu amador de 1º lugar. Desde então, segue lendo e escrevendo sobre as coisas do pago; E seu encanto segue aumentando.

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FONTES DE PESQUISA:

http://www.antropologiasocial.com.br/antropologia/etnias-pampeanas/

http://hernehunter.blogspot.com/2013/07/minuano-povo-pampeiro.html

https://www.researchgate.net/publication/319986851_Etnografias_das_etnias_Charrua_e_Minuano_o_olhar_dos_cronistas_e_viajantes_dos_seculos_XVI_XVII_e_XVIII

http://www.dominiopublico.gov.br/download/cp030204.pdf

http://www.geocities.ws/tyrteuv/ensaio/apres/minuano.htm

http://iela.ufsc.br/noticia/levanta-o-povo-charrua

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