O ENART DIVIDIDO EM DUAS PARTES.

Todos os anos milhares de dançarinos se preparam para o maior festival de dança amadora da América Latina, realizado na cidade de Santa Cruz do Sul.

Buscando em alguns arquivos salvos de tempos antigos, encontramos este texto do Sidinei Pereira Gonchoroski, escrito vááários ENARTs atrás, mas que ainda é extremamente atual, já que nunca muda.

No final, um vídeo do que é o ENART em 1 minuto.

Da uma lida que com certeza tu vais te identificar:

‘Para mim o Enart é dividido em 2 partes:

A primeira é juntar meus amigos para ensaiar uns 9 meses, muitas horas por semana. Nos atirarmos em cima do palco no fim do ensaio de tão cansados. Odiar ir no ensaio depois que meu time perde. Não ver a hora do dia do ensaio se ele ganha. Quebrar a cabeça para aprender aquele ritmo do sapateio. Discutir até onde um movimento que inventei fica bom ou não. Passar frio de madrugada ensaiando. Rir muito das histórias de cada um durante a semana. Achar apelido para todo mundo.

Contar aquela piada que aprendi no trabalho. Rir das perguntas dos meus colegas para o instrutor. Fazer chat através de email quando discutimos ou combinamos algo na semana. Dizer que não posso fazer algo pq tenho ensaio sexta, sábado e domingo. Tomar uma gelada na copa depois do ensaio até as 04:30 da manhã. Fazer aniversario com janta surpresa para alguém do grupo. Fazer uma janta às pressas no sábado depois do ensaio. Tirar fotos dos fiascos dos colegas nas jantas do grupo. Ir tomar sorvete com todo mundo pilchado e suado depois do ensaio de domingo. Pensar no que aprontar para as gurias de surpresa.

Trabalhar nas promoções do CTG. Fazer um projeto gigante para o Enart e ter que correr para fazer promoções para juntar grana. Fazer apresentações porque querem ver a coreografia do Enart passado.

Juntar todos para fazer um projeto cultural/social. Contar com aquele teu amigo que virou teu cumpadre. Inventar um sapateio novo e tentiar se o instrutor vai gostar. Tomar um vinho nas jantas no inverno.

Inventar parodias para músicas. Viajar com o grupo para os compromissos do grupo. Ficar em hotel. Ficar em barraca. Machucar o joelho naquele sapateio. Fazer vaquinha para comprar algo. Pagar para ter algo. Comprar a mesma coisa do grupo em tamanho pequeno para minha filha de 7 meses. Discutir dança de madrugada depois do ensaio.

Repassar 1000 vezes a mesma dança. Rezar no fim de cada ensaio. Fazer o lema. Me orgulhar de dizer que danço por nós e não para ganhar de x ou y. Ficar feliz por isso dar certo. Ensaiar para não errarmos na harmonia de novo. Inventar coisas novas para a interpretação. Acordar as 7 da manha para levar a esposa para fazer cabelo. Inventar coisas novas para as coreografias. Vir do curso de danças com várias idéias.

Ajudar em eventos do municípios ou entidades sociais. Fazer ensaio improvisado. Fazer ensaio cantando pq não tem som. Brigar. Discutir. Rir. Festejar. Esperar sorteio da ordem. Sorteio das danças. Virar membro da patronagem. Pensar no futuro do grupo. Conhecer gente de outros lugares. Ser conhecido. Ser invisível. Ser reconhecido. Ser desconhecido. Cantar parabéns no ensaio. Receber elogio da patronagem.

Receber puxão de orelha. Fazer loucuras. Fazer almoço no domingo de ensaio no CTG. Ir almoçar fora todos juntos. Dar uma de carpinteiro, mecânico ou outros no CTG. Ensaio extra. Ver a família e o CTGna arquibancada. Arrepiar-se. Emocionar-se.

Isso é um pouco do meu Enart.

Ah, a outra parte são aqueles 20 minutos que servem só para saber se recomeçaremos tudo de novo ou se vai ter mais um apresentação.

Se não deu certo, ficamos tristes, até o dia do próximo encontro ou ensaio, quando riremos de tudo que deu errado.’

Sidinei Pereira Gonchoroski

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