1ª PALESTRA SOBRE INDUMENTÁRIA GAÚCHA: OS DESAFIOS DO MOMENTO ATUAL!

Buenas, buenas!

Estamos em um momento diferente novamente no Movimento Tradicionalista Gaúcho.

Aos poucos estamos com a possibilidade de retomar cursos que foram mais comuns no início dos anos 2000, voltados a apresentação de novas danças, novas peças de indumentária, novos livros para estudo

Nos últimos anos, estivemos parados, essa é a verdade. Pouco ou quase nada se fez.

Palestra Sobre Indumentária Gaúcha

Para falar sobre isso, conversamos com Diego Muller, do CTG Brazão do Rio Grande, que serviu como “ferramenta” para que a 1ª Palestra sobre Indumentária Gaúcha saísse do papel, com a frente puxada por Marina Paixão Côrtes e supervisão de João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes.

EV- Quais os desafios que o Movimento enfrenta hoje quando se fala em cursos e palestras?

DIEGO: Acho que tudo está interligado ao conteúdo do(a) mesmo(a).

Uma palestra como a do dia 30 de julho, feita pela Dona Marina Paixão Côrtes (tendo o Brazão apenas como estrutura física e material humano), com participação especial do Seu Paixão, não foi um desafio nas partes com relação ao movimento. Pelo contrário: a procura foi enorme. Tivemos mais problemas em controlar uns e outros tentando burlar a inscrição (e com uns e outros querendo boicotar o evento), do que com a facilidade de divulgação e abrangência do mesmo. Mas isto porque o público sabia que era uma palestra de conteúdo, de seriedade: tinha base cultural!

Agora, se fosse um evento voltado apenas à regulamentação concursiva, ou a simplesmente passos coreográficos, nossa força braçal já teria de ser aumentada consideravelmente para se conseguir fazer um evento grandioso. Não conseguiríamos… e a informação giraria somente entorno de nós mesmos: ao invés de ganhar a repercussão do público.

Já o assimilar disso tudo, notaremos em alguns anos: e é outro assunto.

Nos parece que, hoje em dia, é mais fácil reproduzir o que já esta no meio (mesmo contaminado com bases e mitos antigos de “shows” e de “espetáculos”) do que entrar de cabeça a realizar e frequentar uma palestra como a que tivemos aqui na grande Porto Alegre. É mais fácil reproduzir do que amadurecer… ser saudosista do que analisar o meio… mais fácil concorrer do que aprender… etc. E isso tudo se reflete em como as informações passadas são assimiladas, principalmente aos ligados com grupos de danças e com os concursos, de modo geral – mesmo sabendo que elas vieram fundamentadas e exclusivamente do folclorista.

Dá a impressão que: ser básico é a palavra chave. Pensamos justamente o oposto a isso, artística e culturalmente! Graças a Deus!

EV – Acreditamos que é preciso saber separar o que é feito para concursos (que é a realidade atual) e o que é passado como informação, como conhecimento. Essa palestra foi muito mais informativa do que um painel técnico para festival, concordas?

DIEGO: A “I Palestra sobre indumentária gaúcha” teve uma procura impressionante, que nem o Seu Paixão esperava, mostrando que as suas palavras ainda mexem com a cabeça do meio tradicionalista e causa interessados (mostrando também que temos, realmente, de trabalhar para que elas cheguem ao público atual). Em três semanas, as 300 vagas estavam completas. E em quatro dias, apenas, já havia uma lista de espera de 200 pessoas. Isso totaliza 500 interessados antecipados. E houve uma procura de diversos meios da nossa cultura, inclusive: artes cênicas, teatro, cinema, artes plásticas, estilistas, figurinistas, costureiras, alta-costura, pesquisadores, historiadores, instrutores, dançarinos e tradicionalistas (todos presentes). Seria um erro nosso se o evento fosse voltado somente ao tradicionalismo (ou ao concurso), visto que ele era apenas um meio presente na palestra. Mas haviam outros, que também merecem o nosso respeito e a atenção necessária para seus amadurecimentos culturais. Que bom!

Mas, infelizmente, ainda temos um meio perceptivo e opinativo totalmente preso ao concurso, que se baliza apenas na disputa, para dela saber o que é ou não “verdadeiro” sobre nossa cultura. É um erro grave isso, a não se cometer. O livro “Ponto e pesponto”, por exemplo (que o CTG Brazão do Rio Grande inclusive ajudou a patrocinar), é de 1998. 19 anos atrás. E o concurso ainda está aparte de muito do que nele existe e se explica. Ou seja: diante da bibliografia, o concurso está décadas atrasado. Duas décadas. O mesmo acontece com os musicais, quando a “Antigualhas cantilenas fandanguistas”, de 2001. E com as gerações coreográficas (lançadas em 1975, em “Danças e andanças”, e reeditadas em 2001), que ainda são vistas de forma deturpada por parte dos grupos, que enxergam nelas oportunidades para serem mais europeus e estrangeiros do que crioulos, gaúchos e regionais. Imagine! Nosso interesse, como entidade tradicionalista (e cultural) é de passar e reproduzir a pesquisa verdadeira. Se o concurso quiser ficar aparte a ela, e estar décadas atrasado, não é culpa nossa. É dificuldade deles. Nossa parte estamos fazendo, baseada em documentação e na pesquisa séria. Outros setores também (como o cinema, o da televisão, até das costureiras), pelo que nos procuram, parecem também mais maduros quanto à diferenciação do que é verdadeiro e o que é apenas plástico. O meio necessita e quer progredir, saindo da acomodação de anos e dos mitos que o concurso lhe dá… estanque muitas vezes, se alterando, apenas, em detalhes de regulamentação!

EV: O que tu esperas para os próximos anos do Movimento? Sabe-se que muitas pesquisas existem por parte do Seu Paixão e podem ser lançadas, desde que haja verba. Será que os CTGs estão preocupados com isso mesmo, ou o troféu desse e daquele rodeio ainda são o mais importante?

DIEGO: Seu Paixão continua trabalhando em casa. Há livros prontos, inclusive. Danças prontas para serem lançadas. Danças sem descrição, prontas para só serem editadas. Umas outras a serem reconstituídas e ensinadas ainda. Temas sobre peças, trajes, dançares, classificações, etc e etc. Não para nunca!

Mas infelizmente, a visão das entidades hoje (pelo menos as que se disponibilizam a fazer frentes e puxar algo) está direcionada apenas aos concursos. Elas só se mexem a algo envolvendo o concurso no final do caminho. Não existem nem planos internos de redirecionar a juventude para um interesse cultural e regional, ou melhora-los. Concurso é o que traz gente. Concurso é o que faz estarem no galpão. Concurso faz gastarem nos “bolichos”. Pagarem mensalidades. “Caixinhas”. Etc. E mesmo as pessoas que dizem não estarem preocupadas com os concursos, ou nunca terem historicamente sido deles, direcionam suas forças e trabalhos justamente para aplicar lá na competição, apenas. Contraditório isso!

O investimento de um “rodeio” ou festival de danças pagaria o lançamento de no mínimo duas obras novas do Seu Paixão (só para entender a realidade da preocupação do povo), obras estas que estão há anos prontas, esperando só um auxilio cultural honesto. Obras que poderiam mudar e amadurecer o meio tradicionalista para sempre!

Culturalmente, direcionando em exagero a importância do nosso meio ao concurso, tornou nosso ambiente básico, laico, nivelando sempre por baixo, justamente para dar oportunidade a mais pessoas. Somos da opinião de que devemos é melhorar a cultura do povo e não “atrasar” o meio todo para termos quantidade. Um meio que se “move” apenas reproduzindo o que nasceu dentro dele, não é necessariamente um “movimento” (vivendo sem amadurecimento)… e o concurso vive disso! A obra é maior… e deve ser feita justamente para abranger muito mais!

Gostaria muito que o meio fosse realmente diferente. Eu, que me arrepio com o cultural, o folclórico e o verdadeiro (muito mais do que com um concurso, um dançarino estafado ou um troféu de rodeio), me vejo um tanto aparte ao que nasce hoje das competições (plástica e bibliograficamente). Necessito e necessitamos de mais: de saber de onde a coisa veio, para onde vai; de onde viemos, para onde vamos; por onde passou, quem recebeu; onde era, como era; etc e etc… bases essas que encontramos justamente em obras do Seu Paixão… e quanto mais e mais obras, com suas conclusões e opiniões, sempre fundamentadas, mais e mais me sinto completo culturalmente (em oposto ao caminho do laico).

Mas, de modo geral, nos sentimos felizes em poder contribuir com tudo isso, mostrando que o diferente também pode ser feito… e foi bem feito (pelo menos neste primeiro passo atual, que deve ser seguido por mais e mais pessoas). Se nossa opinião é distinta, que possamos trabalhar diferentemente, para enriquecer culturalmente com qualidade a todos! …Que esse amadurecimento aconteça, é o nosso desejo a todos do movimento!

Bueno moçada, e vocês, o que acham?

Todas as fotos são da Lidiane Hein.

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Abraço!

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