TIRANA-GRANDE: JÁ OUVIU FALAR?

tirana

Por acaso alguém já ouviu falar numa tal de TIRANA-GRANDE?

Ela existe? Existiu? Foi pesquisada? Quem pesquisou? É original? Foi criada dentro dos galpões dos CTGs? Alguém já ouviu falar?

Dentro do acervo guardado pelo extinto IGTF, hoje fragmentado em diversas Instituições governamentais do Estado, encontramos algumas pérolas, nunca antes divulgadas, ao menos como deveria e poderia de ser.

Muitas danças ficaram nas gavetas do Instituto, para, somente agora, sair do arquivo e chegar ao menos até o conhecimento do público.

Sabemos que podem, estas danças, não ser tão originais quanto as demais já bem conhecidas, pesquisadas por L.C. Barbosa Lessa e J.C. Paixão Côrtes, já que sabemos do critério técnico e científico que a dupla (em separado ou em conjunto) tinha, junto a suas investigações “in loco”. Lembramos também que Paixão Côrtes e Barbosa Lessa eram pesquisadores muito mais antigos e ativos, conseguindo, nessa dedicação deles, ir mais longe dos que os demais, chegados a posterior e mais superficiais nas suas pesquisas de campo. Assim, bem provável, realmente, que outras danças não sejam tão originais, sofrendo, quando recolhidas, já muitas influências das modas, da cidades e do modernismo, perdendo inclusive jeitos e trejeitos dos gaúchos antigos.

Lembramos também de que, sem nenhuma bibliografia publicada sobre elas (as danças ainda inéditas, arquivadas pelo IGTF), sem nenhuma sugestão de classificação, de informações de recolhimento, análise e reconstituição, não temos como sabermos sobre fatos que nos permitem entender sobre uma real e prática e execução de sua coreografia e interpretação: local de sua prática, sociabilidade que as dançava, trajes típicos, instrumentalização, dança rural ou citadina, um costume rio-grandense ou um fato isolado, dança folclórica ou de projeção folclórica, análise musical, análise poética etc… Dados estes que as pesquisas de Paixão Côrtes e Barbosa Lessa realmente possuem, em relação as outras danças, e em tantas e tantas bibliografias publicadas sobre os temas por eles pesquisados.

Porém, mesmo sem nenhuma informação, por algum motivo não gerado e publicado pelos pesquisadores desses inéditos temas, vale, ao menos, divulga-las a título de curiosidade, mostrando que resquícios, menos ou mais originais, também existiram pelo interior do nosso Estado.

E é assim que trazemos mais um dos temas curiosos, ainda não divulgados ao público, onde, imaginamos nós, que seja este “post” a sua primeira divulgação: da dança da TIRANA-GRANDE!

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tirana-grande
TV Tradição – Fegadan

O tema da Tirana-Grande teria sido recolhido em torno de 1985, em Santa Cruz do Sul, pela equipe do IGTF, junto ao Sr. Marciliano Rodrigues, que aprendeu, por sua vez, com Arthur de Andrade e Augustinho Manoel Serafim, quando Tio Belizário teria se mudado para Santa Cruz do Sul para ser gaiteiro e ensinar danças tradicionais nos CTGs daquela cidade e região.

O tema foi colhido por Lilian Argentina e Rose Garcia, com textos pertencentes a Rose Garcia e revisão textual de Sônia Siqueira Campos, ainda com pauta musical do maestro Jorge H. Preiss.

É dança originalmente pertencente ao Cilclo do Fandango, quando executada com passos e sapateados. Porém, com o longo dos anos e décadas, foi mudando sua característica original, ganhando conotações do Ciclo das Contradanças, recebendo diretamente a influência da moda das Quadrilhas em suas coreografias (deixando se der um tema Fandanguista, portanto).

Cezimbra Jacques já teria citado algumas Tiranas, por ele conhecidas, dançadas acerca de 1900, como: Tirana-de-Dois, Tirana-de-Ombro, Tirana-Tremida e Tirana-Grande. Porém não deixou ele coreografia citada de nenhuma desses temas, onde também não sabemos se somente os nomes das mesmas continuaram, perdendo as suas coreografias as características iniciais e originais.

O tema este (composto por 7 Figuras) já foi, portanto, montado e reconstituído, já que todas as reconstituições existem para ser por primeira vez descrita passo a passo, didaticamente. Sua reconstituição foi feita pela equipe técnica do IGTF e seus colaboradores, onde nominamos as pessoas, segundo documentos, de: Lilian Argentina, Maria Gladis e Moema Moralles (reconstituição e revisão coreográfica), além de Beatriz Kieling, Cláudio Haussen, Eleu Moreira, Gilberto Albuquerque, José de Souza, Laerte Moraes, Marcos Anunciação, Paula Ribeiro, Rosa Vilkveis, Térson Praxedes e Fábio Ribeiro (demonstração e reconstituição das danças).

A descrição coreográfica pautada não é como as que estamos acostumados hoje, citando “vírgula por vírgula”, dentro das necessidades de avaliações “detalhadas” dos concursos rígidos, como do ENART, por exemplo. Assim, acreditamos que seja muito pertinente e mais tranquilo cada grupo seguir como se entende a seguinte descrição, sendo totalmente “permissível” que existam várias interpretações e execuções para a mesma dança (já que não, possivelmente, não saberemos como ela era praticada no momento de sua reconstituição), sem buscar um gabarito único e restritivo.

Por fim, como já dito: não sabemos nada da sua originalidade, nem de mais detalhes sobre sua geografia e sua prática, podendo ou não ter já influências já de “projeção folclórica”, ao invés de ser totalmente do “folk”.

Os passos, sapateios e ordem coreográfica foram, assim, aqui transcritos, exatamente como estava nos arquivos o IGTF, escrita por seus pesquisadores e colaboradores (os quais devemos exaltar, para não cometer enganos ou “mentir” sobre a história do tema).

Assim, segue a coreografia e a pauta musical do tema, para os grupos que quiserem a bailar e a conhecer, poder seguir exatamente como foi descrito pelo IGTF, no ano de 1985.

Então: Pode rasga a viola, violeiro! E toca a tal de Tirana-Grande!

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COREOGRAFIA:

PASSOS BÁSICOS:

*Passo 01 – Virar sobre a esquerda, através de três movimentos de pés: esquerdo, direito, esquerdo. Virar sobre a direita através de três movimentos de pés: direito, esquerdo, direito.

*Passo 02 – Avanço com o pé esquerdo, que fica com o movimento do corpo; o direito, em meia-planta. O peso do corpo volta para o direito, que fica de toda a planta; com balanceio de corpo, o peso volta ao esquerdo, ficando o direito em meia-planta. Avanço do pé direito, que fica com o peso do corpo; esquerdo em meia-planta. O peso do corpo volta para o esquerdo, que fica que fica com toda a planta; com balanceio do corpo, o peso volta ao pé direito, ficando o esquerdo em meia-planta.

*Sapateio floreado – Planta direita; levantar o pé pra trás e bater com o bico da bota atrás do esquerdo; nova batida de planta direita.

*Sapateio simples – Planta do pé esquerdo, pegando o peso do corpo; taco direito de passagem; meia-planta do pé direito, que fica com o peso do corpo; taco esquerdo de passagem; meia-planta do esquerdo; planta do pé direito, pegando o peso do corpo.

FORMAÇÃO:

*Circulo de pares frente a frente – Damas de costas para o centro da roda; rapazes por fora.

ORDEM COREOGRÁFICA:

*Preparação – Passo Número 01.

*Figura 01 – As damas voltam-se sobre a esquerda e os rapazes sobre a direita. Tomam-se pela mão, elevando-as na altura do peito. Avançam no sentido dos ponteiros do relógio. Damas executam o passo Número 02. Rapazes fazem 1 Sapateio Floreado, 6 Simples, 1 Sapateio Floreado e mais 6 Sapateios Simples.

*Figura 02 – Pequena pausa; após, ambos avançam dois passos, iniciando com o pé esquerdo; progridem em círculo, através de cinco Passos Número 02.

*Figura 03 – A dama gira à esquerda e sob o braço do rapaz. Sem parar executam ambos dois passos em avanço. Prosseguindo, executa o rapaz 1 Sapateio Floreado, 6 Sapateios Simples, mais 1 Sapateio Floreado e 6 Sapateios Simples, enquanto a dama acompanha com o Passo Número 02.

*Figura 04 – Repetir Figura 02.

*Figura 05 – O rapaz, voltando-se sobre a direita, executa um contra-giro, sob seu próprio braço. Após o giro, ambos de mãos tomadas, avançam dois passos. Segue o sapateio já indicado na Figura 03 e passeio da dama (Passo Número 02).

*Figura 06 – Repetir a Figura 02.

*Figura 07 – Elevando as mãos tomadas, ambos giram (homem sobre a direita e dama sobre a esquerda). Executam 2 passos em avanço, seguindo-se o Sapateio conforme Figura 03, bem com o passeio da dama.

Obs.: Não sabe-se se havia a presença de Levante, porém, como toda dança Fandanguista, bem provável que sim, tenha existido Levante, com as características das violas e dos toques Fandanguistas para com esse tema.

música da tirana-grande
Partitura – Arquivos do extinto IGTF

 

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