O ADEUS DE BENTO GONÇALVES DA SILVA!

No dia 18 de julho de 1847, faleceu, em Pedras Brancas, o líder dos republicanos rio-grandenses, Bento Gonçalves da Silva.

Nestes tempos atuais, em que estamos cada vez mais desacreditados e perdendo a fé naqueles que deveriam conduzir uma nação, que há carência de lideranças e precisa-se urgentemente de um rumo e sinuelo, faz-se necessário recordar a história daquele que conduziu uma província até a sua tão sonhada liberdade.

Chegando a ser o primeiro presidente da República Rio-Grandense, o general revolucionário nasceu na Estância da Piedade, na Freguesia de Bom Jesus do Triunfo, atual município de Triunfo, no dia 23 de setembro de 1788. Filho do capitão de ordenanças Joaquim Gonçalves da Silva e de Perpétua da Costa Meireles, Bento era o décimo filho da família.

Seguindo o tradicional costume das antigas famílias, Joaquim e a esposa já haviam planejado o destino dos filhos. Para ele, tinham escolhido o sacerdócio. No entanto, a decisão não agradava o rapaz.

Bento havia sido criado em contato com as lides campeiras. Spalding (1969) descreve que, aos 13 anos, o jovem já possuía as características de um autêntico espadachim. Contam os historiadores que, por volta dos 18 anos, após ser provocado, Bento duelou com um temido negro da região, matando-o.

A carreira militar iniciou em 1811, aos 23 anos, quando se alistou nas forças de Dom Diogo de Souza enviadas ao Uruguai, por ordem de Dom João VI, para ajudar no combate aos rebeldes que sitiavam Montevidéu. Pouco tempo depois, já com as divisas de cabo, voltou à vida civil. Então, seguiu para Jaguarão e passou a residir no território uruguaio, na vila de Cerro Largo, onde adquiriu uma pequena casa de negócios e uma fazenda de criação de gado.

Foi em Cerro Largo que Bento conheceu a jovem Caetana Joana Francisca Garcia, com quem logo se casou. Filha do criador de gado e comerciante espanhol Narciso Garcia, Caetana nasceu em 6 de agosto de 1789, na mesma vila. O casamento ocorreu em 7 de setembro de 1814. Eles tiveram 8 filhos, conforme consta no inventário deixado por Bento Gonçalves.

bento gonçalves

Soldado por vocação, Bento sempre permaneceu ativo e vigilante. De acordo com Leal (2006) “para defender suas propriedades contra os rebeldes de Artigas, Bento transforma-se em capitão de guerrilha, reunindo homens de sua confiança para o serviço”. Em 1º de outubro de 1820, August de Saint-Hilaire, referindo ao ano de 1816, descreveu:

“Guerrilhas são corpos de voluntários, formados no decorrer da guerra atual por um estancieiro chamado Bento Gonçalves. Segundo me relataram, este homem tinha, a princípio, reunido sob seu comando uma dúzia de desertores. Em seguida, essa tropa foi reconhecida de utilidade pelos chefes militares , e aumentada posteriormente de um número considerável de voluntários.”

Tratando-se de alguns registros literários sobre o General Bento Gonçalves da Silva, vale ser citado o de Ivar Hartmann, no livro O País dos Gaúchos:

Pois estávamos agora acampados tomando mate quando dois vultos aproximaram-se: o general Bento Gonçalves e um ordenança. Pusemo-nos em pé e cumprimentamos nosso chefe.

Era um homem forte, da minha estatura. Pareceu-me ter o olhar cansado e o rosto vincado das pessoas de muitas preocupações. Era um homem imponente e sem cerimônia. Sentou-se sobre meus arreios enquanto dom Pablito servia-lhe um chimarrão.

Foi a primeira vez que estive perto do general. Na segunda ele veio despedir-se de mim enquanto eu rumava para o hospital de campanha onde o cirurgião ficou com metade de minha perna.

E também os da obra Uma História Farroupilha, de Moacyr Scliar:

“Franz não pôde deixar de se impressionar com a figura do comandante farrapo. Era um homem de feições severas, nariz reto, olhar penetrante; vasta cabeleira e grandes costeletas emolduravam-lhe o rosto. Usava um vistoso uniforme, com alamares dourados.”

Em 1845, quando da assinatura do Tratado de Poncho Verde, Bento Gonçalves fez-se ausente das negociações de paz, ou por sentir-se doente ou por injustiças de David Canabarro. Voltou para suas terras, em Camaquã, enquanto Canabarro tratou das negociais de paz com Caxias.

Há incertezas quanto ao fato de Bento ter falecido pobre e doente ou saudável e com riquezas. Embora rumores atestam à segunda opção, a historiografia oficial garante que uma pleurisia que se manifestara violentamente o levou dois anos depois da Revolução Farroupilha.

Seu inventário foi realizado só dez anos após a morte. Deixou aos oito filhos “33 escravos com idades entre um ano e meio e 60 anos; 700 reses, 24 bois, 15 novilhos, 30 cavalos, 22 potros, 8 éguas, 270 chucras. Bens de raiz: 3.746 braças de campo no Cristal. Quinhão e meio mato à margem de Camaquã, casa, tafonas e outros.

Em 14 de julho de 1891, na cidade de Porto Alegre, foi publicada a Lei Governamental, que se propunha, com o consentimento da família, a doar os preciosos despojos do General Bento Gonçalves da Silva, ao município que erguesse um monumento à altura do glorioso General e seus companheiros.

Em 1º de agosto de 1900, os despojos de Bento foram entregues, por deliberação de parentes, ao Capitão Ignácio Azambuja, que se encarregou de transportá-los com toda a segurança para a cidade do Rio Grande, aonde chegaram no dia 21 de agosto de 1900, a bordo do iate “Doca”, sendo logo recolhido à residência do Capitão Azambuja amigo e parente próximo da família do General Bento Gonçalves da Silva.

Nesse monumento, de Teixeira Lopes, existem os dois leões em combate que representam a luta entre irmãos, onde não houve vencedores nem vencidos, e a figura imponente do caudilho, empunhando o pavilhão tricolor da República do Piratini. A escultura é fundida em bronze.

Bento Gonçalves da Silva deu adeus ao Rio Grande do Sul e ao mundo em 1847, com 59 anos de idade. Porém, nos deixou um grande legado: Se optar por viver sem virtude, viverá como escravo.

Onde estão agora esses belicosos filhos do continente, tão majestosamente terríveis nos combates? Onde Bento Gonçalves, Neto, Canabarro, Teixeira e tantos valorosos que não me lembro?

Oh! Quantas vezes tenho desejado nestes campos italianos um só esquadrão de vossos centauros avezados a carregar uma massa de infantaria com o mesmo desembaraço como se fosse uma ponta de gado!

Que o Rio Grande ateste com uma moderna lápide o sítio em que descansam seus ossos. E que vossas belíssimas patrícias cubram de flores esses santuários de vossas glórias, é o que ardentemente desejo… – José Garibaldi”. (Trechos da carta de Garibaldi a Domingos José de Almeida)

SOBRE O AUTOR:

Mateus Müller, 22 anos, reside na cidade de Novo Cabrais –RS.

No ano de 2016 iniciou seus passos na invernada adulta do CTG local, o Presilha Pampiana, onde permanecera até meados de abril de 2017. Começou ali a real paixão pelo Rio Grande do Sul.

Em 2018, escreveu uma peça de teatro unindo Religiosidade e Tradição Gaúcha, para um evento religioso entre jovens da região central do Estado, e foi honrado com o troféu amador de 1º lugar. Desde então, segue lendo e escrevendo sobre as coisas do pago; E seu encanto segue aumentando.

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