PAINEL DE DANÇA BIRIVA FEGADAN 2019

dança biriva fegadan 2019

Conforme prometido, MTG divulga Material sobre o Painel de Dança Biriva FEGADAN 2019.

Passadas alguma semanas da realização do Painel de Danças do FEGADAN 2019, o Movimento Tradicionalista Gaúcho por meio de seu site oficial divulgou um material base para as Danças do Tropeirismo Biriva.

Confira abaixo:

PAINEL DANÇAS BIRIVA FEGADAN 2019

1º O Bailar Biriva:

A história dos primórdios do Rio Grande do Sul, está ligada as atividades desenvolvidas pelos tropeiros. Atividades estas que foi desenvolvida por mais de duas centúrias (Século XVIII, XIX e XX) no Sul do Brasil, e que deixou fortes e marcantes manifestações nos costumes rio-grandenses, abrilhantando o folclore gauchesco do ciclo Fandanguista, com danças só masculinas e cantigas. Temas desenvolvidos alegremente pelos tropeiros com seus parceiros de tropeadas, em seus momentos de lazer, no vivenciar dos pousos, no descangar das bruacas de suas tropas cargueiras.

Com a chegada da mulher branca, esta sociedade só de homens, se modifica e o tropeirismo se enriquece, de novas matizes bailáveis, em par-casal.

TROPEIRISMO BIRIVA: GENTE, CAMINHOS, DANÇAS E CANÇÕES, 2000. 

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes

 

CHULA

Chula – Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 9, 10 e 11. (Paixão Côrtes)

Manual de Danças Gaúchas, pg. 146 e 147. (Paixão Côrtes/Barbosa Lessa)

Dança na qual os bailantes se confrontam, cada um desejando mostrar suas habilidades coreográficas, através de gestuais movimentos e sapateadas, de um e de outro lado de uma aste (porrete) de madeira, colocada devidamente no chão.

Informes:

  1. Participarão no mínimo 8 sapateadores, assim demonstrando uma riqueza artística do seu grupo. As figuras efetuadas por cada sapateador, bem como suas variantes, na parte correspondente ao “desafio”, não poderão ser novamente apresentadas por outro qualquer dançarino, no decorrer de cada exibição. Cada passo deverá ter 8, 12 ou 16 compassos. E, a música não é interrompida durante todo desenvolvimento do tema, isto é, entre o primeiro e último dançarino, sendo assim, continuada do princípio ao fim de toda a apresentação.
  2. No cenário deste bailado a aste (porrete) fica ao centro do tablado, e os Tropeiros Biriva ao seu redor.
  3. O sapateador não poderá efetuar passos de “pé quebrado” (malambo platino), e nem utilizar, nas figuras, objetos estranhos, tais como faca, facão, pala, porrete, pandeiro, etc, facultando-lhe uma gestualidade condizente a mensagem que deve transmitir o referido tema coreográfico.
  4. Com o intuito de voltar a ser mais frequente a apresentações da Chula em concurso de Danças Biriva, a mesma terá uma avaliação por “Contexto Geral”, atribuindo uma nota final única através dos seguintes quesitos: Coreografia, Interpretação artística, Harmonia, Criatividade, Música e Indumentária.
  5. A Chula Biriva deve ser mais autêntica como os Tropeiros de Antanho, mais bailada com figuras e sapateios.

LEIA MAIS: CHULA – UMA DANÇA ALÉM DO DESAFIO

CHICO DO PORRETE

Chico do Porrete – Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 12 e 13. (Paixão Côrtes)

Danças Tradicionais Rio-Grandenses – ACHEGAS, pg. 46, 47, 48, 49, 50 e 51. (Paixão Côrtes).

Dança que através de movimentos de passar de um bastão por entre as pernas, por uma mão e outra, e sapateios (Conjunto e Individuais), traduz habilidade e vigor físico do dançante.

Informes:

  1. Participarão no mínimo 8 dançarinos.
  2. Se eventualmente, o número de dançantes não formar par (ex. 9 Tropeiros), na figura simultânea dos dançarinos em dupla (com porrete no ar e no chão), aquele que ficar individual, poderá circunstancialmente, marcar no ritmo com seu porrete, porém NÃO fazendo qualquer passo especial.
  3. Não há um posicionamento grupal coreográfico específico, no cenário do bailar dos dançarinos. Se colocarão espalhados no tablado, sem um deslocamento maior figurativo individual, pois as posições dos dançantes se adaptam a territorialidade do local e as características espontâneas de dança (não confundir com “criação coreográfica” pré-estabelecida, obedecendo erroneamente marcação determinada).
  4. Os sapateios individuais e em grupo devem ser mais autênticos como os Tropeiros de Antanho, mais bailado com figuras e sapateios. As marcações do porrete seguem como o tocador está executando o tema musi-coreográfico.

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DANÇA DOS FACÕES

Dança dos Facões – Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 14 e 15. (Paixão Côrtes)

Danças Tradicionais Rio-Grandenses – ACHEGAS, pg. 118 até 133 (Paixão Côrtes).

Cada Tropeiro baila com 2 facões, cadenciam a música com precisas batidas, exigindo dos dançarinos, muita habilidade, destreza e precisão, a fim de evitar cortes ou eventuais acidentes entre os participantes.

Informes:

  1. Participarão no mínimo 8 dançarinos.
  2. No cenário deste bailado, os dançarinos iniciam postando-se em um “cordão” (meia lua), na sequencia irá formar uma roda grande, e então os “ternos” para as figuras obrigatórias. Após as figuras obrigatórias, o bailado se torna livre e de criatividade do grupo, contando deve-se observar que a livre criação das figuras tem que ser coerente e que não descaracterize a autenticidade do tema musi-coreográfico.

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FANDANGO SAPATEADO

Fandango Sapateado – Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 16, 17 e 18. (Paixão Côrtes)

Cada Biriva baila em círculo e em conjunto, após procura exibir sua capacidade de teatralidade, com figuras-solo sapateadas, ao som do rosetear de nazarenas.

Este tema – que é o nosso mais antigo motivo coreográfico – deu origem a formação do Ciclo Fandanguista primitivo rio-grandense, onde aparece posteriormente a dama, formando par.

Informes:

  1. Participarão no mínimo 8 dançarinos.
  2. No cenário deste bailado, os dançarinos se posicionam e bailam em uma roda grande. No qual a mesma não deve ser desfigurada, ainda que mais de um dançante, execute figuras na sua área central. E também, o dançante executa as figuras para o centro da roda, não dá as costas para o centro da roda e nem para um eventual parceiro de figura.
  3. O Fandango Sapateado é um baile com feição sóbria, e que até, em certos momentos de determinadas figuras – o dançante a solo, em dupla, ou mesmo em conjunto – faz aflorar, com vigor e de forma contagiante, a ingênua alegria do homem campestre, sem que esta torne o perigo de se desfigurar a mensagem respeitosa maior do tema, com exibições circenses, malabaristas, com excêntricas acrobacias de palco, longe da simbologia rude e pura do nosso tropeiro-biriva e deu habitat natural pastoril.
  4. As figuras são desenvolvidas com os dançarinos avançando em passos (sapateados).
  5. É um bailado em que se entremeiam sapateios e bate pés, rosetear, palmeios (que traduz a representação de aplausos pela figura realizada), figuras criativas, espaços livres (sem palmeios e sem sapateios) e cantorias (de repouso coreográfico). O “pelego”, não é uma figura específica ou com ordem de comando, mas sim um “acidente” do bailar.
  6. Vozes de Comando, Figuras e Considerações está no Livro Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 18 (Paixão Côrtes).

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2º O Trajar Biriva:

O Tropeiro Biriva, Beriva ou ainda Biriba do sul do Brasil, trazia peculiaridades na metodologia do seu trabalho rural, no encilhar do cavalo, no modo de falar, na maneira de cantar, na forma de dançar, e até mesmo na originalidade do entrajar-se campesinamente. Enfim, possui uma identidade cultural, que o distingue das demais.

Relativo as figuras dos tropeirismo que transitaram pelo pagos rio-grandenses – referência a peças originais ou reconstituições atuais, dentre os tipos de trajes a “moda do sistema dos antigamente”, que caracterizavam o enroupamento dos birivas do passado, em suas atividades de trabalho campestre diário ou em atividades festivas.

TROPEIRISMO BIRIVA: GENTE, CAMINHOS, DANÇAS E CANÇÕES, 2000. 

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes

 

CEROULAS

Ceroulas: Tecido de Algodão.

Sem Franjas – Usada por dentro das botas, é terminada atada com “cordões” do próprio pano. Tecido de algodão liso, xadrez ou riscado bem discreto.

Com Franjas – Usada por fora das botas, com uma franja por volta de 5 a 8cm. As franjas são de o próprio desfiar do tecido.

Crivadas (Macramê) – Os ditos “crivados” das antigas ceroulas são as franjas atadas, o artesanato de Macramê feito a mão.

 

CAMISA PRIMITIVA

Camisa Primitiva: Tecido de Algodão branco (cru), não em cores fortes, berrantes.

Sem Gola – De cor lisa. Atada acima por cordões do próprio pano.

Com Gola – De cor lisa. A gola é junto a camisa, sem colarinho. Atada abaixo por cordões do próprio pano.

Bordada – De cor lisa. Deve ter um bordado (rococó ou ponto cheio – comum) discreto (em só uma cor ou mais), feitio da “maça do peito” até por volta da altura do umbigo.

 

CALÇA PANTALONA

Calças Pantalona (Biriva): Tecido firmes e lisos, com bom caimento. Comprida aquém da altura do tornozelo, tendo, porém oculta suas extremidades, pelas botas. Não tão ajustadas as pernas, apresentavam a abertura frontal da bifurcação, conservava a referida abertura perpendicular, de forma tradicional. E, assim o biriva vestiu normalmente no seu cotidiano campeiro, por dentro de suas botas de época, ou mesmo com russilhonas.

Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 22 e 23/Pintura do quadro de Debret, pg. 20. (Paixão Côrtes)

 

CHIRIPÁ SAIOTE

Chiripa Saiote: Tecidos firme, com boa caída. Seu comprimento vai até por volta da altura do joelho. O pano que se sobrepõe tem o seu fim na parte externa da perna esquerda.

 

FAIXA “MARINHEIRA”

Faixa “Marinheira”:  Tecido de Algodão (encorpado), em cor branca.

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Devem ter suas pontas caídas ao lado da perna esquerda.

Deve ser usada somente com o Chiripa Saiote.

Não deve ser usada com o cumprimento do tamanho ou maior que o término do saiote.

Terminava com franjas ou pequenos macramês franjados.

Quando o “usar” sem guaiaca, deve ser atada ao lado da perna esquerda, com a funcionalidade de prender o Chiripa Saiote.

Bordada com singelos florais ou pequenas iniciais nominal.

 

COLETE

Colete: Com tecido mais encorpado na parte frontal do que atrás. Não em cores berrantes.

Na parte frontal com botões em linha ou transpassados, e em cada lado pequeno bolso (para relógio, lenço de mão, etc).

Com Gola arredondada ou corte em “V”.

Com comprimento suficiente para atingir a guaiaca.

As costas, devem ter pequena fivela para ajuste.

 

VÉSTIA

Véstia: Com tecido mais encorpado, não em cores berrantes.

Casaco com 3 ou 4 botões (depende o tamanho do peão) na parte frontal, em carreira simples.

Com pequena gola.

Com comprimento que não vai além da cintura do peão.

 

GUAIACA

Guaiaca: Deve ter Tamanho normal condizente ao peão.

Modelos – Tropeira, “De Pelo” e Com Bordado e Moedas.

 

BOTAS

Botas: Bota de Garrão de Potro – Cano mais alto. No pé toda fechada ou com os dedos “de fora”.

Bota de Garrão de Vaca – Cano mais baixo. No pé toda fechada ou com os dedos “de fora”.

Bota Forte – Em cores de Preto e tons de Marrom.

Bota Russilhona – Em cores de Preto e tons de Marrom.

  • Cuidado com o uso das Botas Russilhonas, pois nas festas sociais as mesmas eram “descidas” para baixo do joelho.

 

ESPORAS

Esporas: Tomar cuidado para que o tamanho das esporas seja de acordo com o peão e o seu trajar Biriva.

 

CHAPÉU

Chapéu: Feltro (copa alta) – Em cores preto e tons de marrom.

Deve ter vincha e barbicacho (De crina, couro e seda “preto e tons de marrom”).

Palha (trançada) – Em cores naturais.

  • Modelos de chapéu de palha no livro Tropeirismo Biriva: Gente, Caminhos, Danças e Canções, pg. 41. (Paixão Côrtes)

Deve ter barbicachos (De crina ou couro). Os barbicachos além de passado por de baixo do queixo, do usuário, para fixar o chapéu, também deve ter um outro barbicacho passado contornando a extremidade da copa do mesmo, para amoldar a peça na cabeça do tropeiro, deixando cair as pontas do barbicacho na parte de trás do chapéu.

Tomar cuidado para que o tamanho do Chapéu seja de acordo com o peão e o seu trajar Biriva.

 

Cuidados:

  1. Não deve usar o mesmo pano (tecido) para fazer um trajar Biriva completo.

Exemplo: Chiripa Saiote, Colete e Véstia.

  1. O uso do lenço é somente com o Chapéu de Feltro (copa alta). Com certa liberdade na maneira de usar, seguindo o que está descrito nas obras e ensinamentos de Paixão Côrtes.
  2. Acima das Ceroulas usa-se Calças Pantalona (Biriva) ou Chiripa Saiote. Usa-se também o Chiripa Saiote por cima das Calças Pantalona (Biriva).
  3. Pode ser usado com ou sem Guaiaca o uso das Calças Pantalona (Biriva).
  4. O uso do Chiripa Saiote pode ser com a Faixa “Marinheira” e Guaiaca. Também poderá ser só com a Faixa “Marinheira” atada, ou somente com a Guaiaca.
  5. O uso do colete pode ser acima da camisa, ou por de baixo da véstia. Também poderá ser usado somente o colete (sem camisa), uma ou duas peças.
  6. O uso da véstia pode ser acima somente da camisa, ou acima da camisa e colete.
  7. O uso da espora pode ser com o “papagaio” para baixo ou para cima.
  8. O Trajar Biriva da lida como: Tirador, Boleadeira, Bruaca, Baeta, etc, poderá somente adentrar ao tablado para demonstração das peças. No momento que iniciar o levante para a 1° Dança os Birivas devem estar sem as peças, pois as mesmas eram para a lida e não para o bailado (sem funcionalidade).

O GAÚCHO, 1978. 

TROPEIRISMO BIRIVA: GENTE, CAMINHOS, DANÇAS E CANÇÕES, 2000. 

João Carlos D’Ávila Paixão Côrtes

 

TRABALHO REALIZADO POR:

Eduardo de Miranda e Equipe Técnica FEGADAN 2019.

Dúvidas e Questionamentos:

fegadanmtgrs@hotmail.com

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