POR QUE PRECISAMOS ESTAR PILCHADOS PARA SERMOS TRADICIONALISTAS?

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Livro escrito por João Carlos Paixão Côrtes traz diversas visões sobre as Danças Gaúchas.

Paixão Côrtes

Livro de capa verde, muito simples mas cheio de conteúdo fundamental para o bom entendimento das nossas danças gaúchas. Lançado oficialmente em Janeiro de 1986, traz uma pequena frase que pode passar despercebido por muitos dos que já usaram esta obra como base de estudos:

“Quanto mais conhecemos o folclore rio-grandense, mais nos tornamos gaúchos.”

Trata-se do “NOVAS DANÇAS DO RIO GRANDE ANTIGO”.

Decido pontuar este livro de uma forma geral, aspectos apenas do PRIMEIRO CAPÍTULO, a fim de que todos tenham acesso a um material que já está, digamos assim, meio esquecido no tempo… e como foi base para diversos outros livros que vieram na sequência, creio ser interessante compartilhar alguns pensamentos.

DANÇA GAÚCHA – SENTIDO EDUCACIONAL, CULTURAL E RECREATIVO

“Após longa carreira de pesquisador dos nossos temas músi-coreográficos, depois de contatos mantidos com grupos das mais variadas classes sociais e planos culturais, veio-nos a certeza de que a simples reprodução mecânica de uma coreografia ou de uma linha melódica musical somente, sobre um motivo regional, não é o suficiente para atingir o que se propõem aqueles que, num sentido de ocmunicação, de lazer, de arte e mesmo pedagógico, procuram levar ao povo a essência de sua cultura comum. (…)

É oportuno lembrar que, ao se falar em determinada música ou dança, não nos devemos limitar só aos seus fundamentos coreográficos e musicais, mas transmitir os aspectos culturais que os envolvem.

Há, nos parece, de se fazer ver aos intérpretes musicais ou dançarinos, que a beleza este ou daquele tema não está ligada unicamente à exatidão dos passos e compassos, ao colorido das vestes, à autenticidade dos trajes ou à coreração poética. É preciso entender o sentido do motivo, sua essência e, nele, colocar a sensibilidade da alma, executando-o com a pujança do seu coração.

Muitos desenvolvem certos motivos mas não o sentem e não transmitem o sentido de suas raízes nativas. Não deve haver imposição ao uso de uma vestimenta típida para dançar, nem mesmo de determinado instrumento ou arranjo vocal, para justificar “autenticidade”. O mister é divulgar e ensinar os temas, adequando-os a cada momento. O importante é que sejam nossos.

Este último parágrafo para mim é mais SENSACIONAL de todos! Quantas vezes acabamos por julgar pessoas que vão a bailes gaúchos usando uma pilcha incorretamente, e ao invés de focarmos a atenção em aprender algo (principalmente com os antigos) – nos detemos a analisar e julgar a sua “falta de autenticidade” pelo uso incorreto da indumentária… e ainda, segue o texto!

paixao cortes
Paixão Côrtes

“O povo – crianças, jovens, velhos – cantará e dançará em “manga de camisa”, na rua; enfatiotado, nas reuniões sociais; em trajes de gala, nos salões e clubes; em roupa de balé, ao som de uma orquestra sinfônica; nos tablados dos restaurantes e casas noturnas; nas “ramadas” dos parques citadinos; no palco, no colorido artístico dos teatros: desportivamente nas Ruas de Recreio e praças públicas ou no clima salutar universitários das Faculdades.

Folclore é alma!

Tradição é coração!

Chegará o momento, temos confiança absoluta, em que o nosso povo, inclusive aqueles que pertencem a entidades tradicionalistas, abandonará a impressão hoje generalizada, de que somente aquele em traje típico gaúcho tem o “direito” de tocar, cantar ou dançar motivos tradicionais folclóricos.

Estaremos, então, diante de uma verdadeira consciência do culto ou dos motivos folclóricos e tradicionalistas. “Viveremos” as festas da querência e os participantes não se sentirão obrigados a se exibir em trajes característicos (muitas vezes fardados?!), nem terão a preocupação maior de se apresentar em espetáculo ou show, vestidos exclusivamente de forma gauchesca, ou passar pela vergonha de, conhecendo temas da terra, ser apontados como grossos, seja por cantar ou dançar as coisas do Rio grande.”

É estranho ler todas essas posições do folclorista Paixão Côrtes, e ver que talvez tenhamos nos perdido no meio do caminho. Não sei até que ponto melhoramos a visão geral da sociedade frente ao culto as nossas Tradições.

Entretanto, ficamos felizes em perceber que a Tradição Gaúcha tem ganhado mais espaço junto as grandes mídias de massa, e também, crescido exponencialmente na INTERNET.

Não sei se estamos acertando, mas não podemos deixar de tentar.

Se possível, dê uma circulada em outras postagens que já fizemos sobre as DANÇAS TRADICIONAIS e sobre o Mestre PAIXÃO CÔRTES, quem sabe consiga extrair alguma informação útil lá pro teu grupo ou para o teu CTG, e assim, continuamos aprendendo – e ensinando!

#PaixãoCôrtes

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